Produtora do Olodum, Dora Dias, morre em Salvador

31/05/2016

A Fundação Pedro Calmon/SecultBA manifesta seu profundo pesar pela passagem da produtora cultural, Maria Auxiliadora Régis Dias, que faleceu na manhã de hoje (31), vítima de um câncer. Dora Dias, como era carinhosamente chamada, estava internada no Hospital São Rafael, desde começo do mês de maio e será sepultada na tarde de hoje, no Cemitério Jardim da Saudade, Capela G., às 17h. 

 

Aos 61 anos, a baiana e mãe de três filhos era formada em Letras pela Universidade Federal da Bahia e ficou conhecida no Brasil, principalmente, pela sua atuação no grupo cultural Olodum, onde trabalhou durante 29 anos. Ela foi produtora musical, conselheira, diretora cultural do Olodum e responsável por um dos mais importantes eventos da entidade - Festival de Música e Artes Olodum (Femadum). Inclusive, a mesma foi homenageada no Femadum de 2015, como uma das mulheres mais influentes da cultura baiana. Isso porque, dentro de suas funções no Olodum, Dora sempre destacou um espaço para debate das pautas de gênero, resultando na criação do seminário Mãe, Mulher, Maria Olodum. Segundo o presidente da entidade, João Jorge Rodrigues, a presença e os trabalhos realizados por Dora foram essenciais para projeção feminina na entidade e para o fortalecimento desta pauta no cotidiano da instituição. 

 

Dora Dias também foi coordenadora e diretora da Escola Olodum, no qual desempenhou um papel essencial no diálogo e na formação de jovens da comunidade. “Dora tinha um conhecimento profundo sobre cultura e foi estimuladora dos jovens, inclusive, de varias gerações de músicos do Olodum”, emocionado, finaliza o presidente do Olodum, chamando atenção para o ativismo humano travado pela produtora. Dora também foi conhecida pelo debate da cultura afro-brasileira e das discussões sobre o feminismo negro.

 

Desde cedo nas redes sociais, militantes dos movimentos negros, culturais e de mulheres, amigos e familiares publicam fotos e mensagens lamentando o falecimento de Dora. “Muita dor e muito pesar pela partida dessa parceira, guerreira, companheira em qualquer circunstância. Com certeza vai deixar uma grande lacuna na vida de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com ela”, postou Miguel Arcanjo, vice-presidente do Bloco Afro Male Debalê.

 

Zulu Araújo, diretor da Fundação Pedro Calmon/SecultBA, também lamentou a passagem de Dora Dias. Ela foi diretora de Intercâmbio Cultural da Fundação Cultural Palmares, gestão de Zulu no órgão federal. “Minha querida amiga de longos anos, partiu. Resistiu enquanto pode e foi um símbolo de coragem e determinação no enfrentamento da vida e da doença que a vitimou”. 

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