Importantes para qualquer sociedade e para qualquer nação, os Arquivos Públicos são considerados como atributo essencial à soberania de um Estado, e por consequência, se apresentam como instituições imprescritíveis e inalienáveis. O Dia Internacional dos Arquivos é celebrado no dia 9 de junho. A data foi escolhida em razão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) ter criado o Conselho Internacional dos Arquivos neste dia (9 de junho), no ano de 1948.
A criação do Dia Internacional de Arquivos objetiva proporcionar condições ao desenvolvimento de ações direcionadas à promoção e difusão dos arquivos em todo mundo. “A iniciativa coloca em evidência os arquivos da humanidade conferindo-lhes um momento para reflexão. Um momento essencial para sensibilização do público, em geral, sobre o papel social dos arquivos no século XXI. Uma oportunidade para que os arquivos sejam utilizados de modo a contribuir para o exercício de plena cidadania. Além de fortalecer a interlocução entre profissionais e usuários”, segundo a diretora do Arquivo Público do Estado da Bahia, Maria Teresa Navarro.
Neste mesmo sentido, a Unesco criou em 1992, o Programa Memória do Mundo com a finalidade de assegurar a preservação e o acesso ao patrimônio documental reconhecido de importância nacional e regional e com significado mundial. No Brasil, o Programa Memória do Mundo da Unesco foi criado no âmbito do Ministério da Cultura, em 2004, visando assegurar a preservação do patrimônio documental de importância mundial e democratizar o seu acesso
Memória do Mundo na Bahia - O Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB) – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado, custodia três conjuntos documentais reconhecidos como de relevância nacional pelo Comitê do Brasil do Programa Memória do Mundo da Unesco, nos anos de 2008, 2010 e 2013. Os seguintes: Tribunal da Relação do Estado do Brasil e Bahia (1652-1822); Registros de entrada de passageiros pelo Porto de Salvador (1855-1964) e Cartas Régias (1648-1821).
Além dos documentos do APEB, se encontram nominados como memória do mundo pela Unesco, os Livros do Bangüê (1742-1856), da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, as Atas da Câmara Municipal da cidade de Salvador (1625-1763), custodiadas pelo Arquivo Histórico Municipal de Salvador e os livros de tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia (1543-1818), que formam uma coleção de seis volumes, todos em grande formato relativos aos séculos 16, 17, 18 e 19. Os manuscritos únicos registram importantes documentos jurídicos, como a referência ao patrimônio material – latifúndios, terrenos e casas - dos monges beneditinos da Bahia. Essa documentação possibilita a compreensão do processo de povoamento de Salvador, assim como regiões que ficavam, à época, fora da cidade.