24/11/2016
As políticas de ação afirmativa fazem parte da história recente do Brasil e principalmente no campo universitário. Geralmente, são direcionadas aos grupos sociais com histórico de exclusão ou algum tipo de discriminação diante dos grupos hegemônico. Do ponto de vista histórico, contou discordância de grupos dominantes como as elites, as empresas de comunicação e grupos políticos diante da sua perspectiva de instalação nas seleções, no começo deste século. Neste sentido, o diretor da FPC recorda que a discussões destas pautas não contavam com unanimidade e nem anuência dos grupos políticos e sociais. “É incrível lembrar como a discordância da implementação esteve presente em diferentes espaços e momentos, pois ao final da década de 80 e começo da 90, esta indenização se apresenta como utópica”.
Zulu ainda relembra que a Universidade Estadual da Bahia (Uneb) foi a primeira a implementar políticas ação afirmativa nos cursos da pós e da graduação, em 2003, na gestão da reitora Ivete Sacramento. Na UFBA o sistema foi adotado em 2004, na gestão de Naomar de Almeida, entendendo que a política de reserva de vaga equalizasse o acesso dos negros e indígenas na Universidade, atuando na equidade do sistema educacional.
A partir daí, os negros baianos tiveram contato com a reserva de vagas na Universidades públicas, se apresentando como o início das discussões sobre as cotas na Bahia. “Estes foram os primeiros espaços para alcançarmos melhores estáticas quanto ao acesso e quanto a formação de graduados negros”, comenta Zulu, acrescentando a expectativa que tinham de que as políticas de ação afirmativa, atuem provisoriamente, amenizando o atraso causado por séculos de escravização e racismo no Brasil. “Claro que elas terão fim. Nossa proposta é que o racismo tenha fim e consequentemente, as cotas. Pois elas servem para amenizar os efeitos negativos que racismo traz”, conclui o Diretor da FPC, que aponta a formação de quadros, profissionais e pesquisas negras, como um dos caminhos para diminuir os efeitos do racismo no Brasil.A coordenadora de Programas de Assistência ao Estudante (CPAE), Juliana Marta, ressaltou a necessidade de um parâmetro especifico que promova acesso para além do corpo discente e administrativo, mas também, no corpo docente. Rutte Andrade é doutoranda do Colegiado de Ciências Sociais e nasceu em Cabo Verde, África. Ela indica como isso é essencial para ampliar os debates em sala de aula. Não ter no quadro de professores, profissionais atentos à estas demandas, cria uma distância entra e os estudos e cultura negra ou textos e pesquisas africanos. “É desmotivante não ter referencias ou debates em torno da contribuições africanas ou negras. Sinto que a universidade negligencia a contribuição negra na formação dos alunos”, desabafa Rutte.
Novembro Negro na UFBA - Atividade é promovida pela Coordenação de Ações Afirmativas, Educação e Diversidade da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE) e apresenta debates, filmes e exposições. A pró-reitora Cássia Maciel explica que o projeto tem objetivo de fortalecer a produção de conhecimentos e práticas em Direitos Humanos na UFBA. “Essa é uma oportunidade de debatermos, também, a visão institucional referentes à outros enfrentamentos, como por exemplo, as pautas das mulheres e dos homossexuais”, comenta Cássia. Confira toda programação aqui: https://goo.gl/7wtc1v
Foto: Arquivo Pessoal