Um mergulho no imaginário das culturas afro-indígena, popular e nordestina, assim é caracterizado o trabalho do artista plástico, designer gráfico, cenógrafo e figurinista, J. Cunha, que já participou de importantes bienais de artes plásticas e de exposições individuais e coletivas no mundo a fora.
Através da pesquisa, assimilação e transformação num universo próprio, mítico e mágico, simbólico e intuitivo, J. Cunha é autor de inúmeras marcas e logotipos, ilustrações para livros e capas de discos, estamparias, ambientações de show e eventos.
Seu nome é definitivamente vinculado ao carnaval de Salvador, por haver criado e assinado a concepção visual e estética do bloco Ilê Aiyê durante 25 anos, além de instigantes decorações temáticas para o carnaval de rua na cidade.
“Eu nasci no bairro de Monte Serrat, onde tudo era muito rico, tinham os rituais afro-brasileiros e católicos que, juntando, cria uma atmosfera chamada afro-baiana. As pessoas tem uma forma de falar e de pensar com esse sincretismo. Até mesmo o colorido vira identidade. Eu tenho o privilégio de ter trabalhado para o carnaval de Salvador, onde um número gigantesco de pessoas poderia ver minha arte todos os anos. Pode-se chamar um fenômeno, como tentou ser o pop-art dos EUA aqui no Brasil, e conseguimos esse fenômeno com nossa própria arte, não apenas nos blocos, mas no dia a dia das pessoas, no torço das mulheres, nas roupas, nas cortinas, nas estampas” - J. Cunha.
Neste ano, o artista lançou o livro “O Universo de J. Cunha”, com curadoria de Danillo Barata, que dividido em seis sessões, procura dar visibilidade à dimensão de sua produção: Barroco Safado; Mutum; Homem Pássaro; Sertão e Luz; Carnavália; Áfricas e Códice, que tentam dar conta de como as suas obras se apropriam de diversos territórios como o indígena, africano, o sertão e o tropicalismo baiano.
O artista destaca que “o livro é um apanhado de obras dos anos de 1970 até os dias atuais. Sem cronologia de tempo, uma cronologia própria da arte, se é que a arte tem cronologia, pois talvez seja ela mesma o tempo”.
Quer saber mais deste artista, conhecê-lo?
J Cunha integra o projeto da Fundação Pedro Calmon, Memórias Contemporâneas, que pretende resgatar a memória da cultura da Bahia entre as décadas de 1950 e 1990. Na próxima segunda (28), 17h, participará do Conversando com a sua História, projeto de autoria do Centro de memória da Bahia – vinculado à FPC/SecultBA, onde falará sobre “Artes Plásticas e Identidade Afro-Baiana”. O encontro será na Biblioteca dos Barris e é aberto ao público.