#EscritoresEscolares - Selena Shiva, 13 anos, realidade, desigualdade e poesia

16/11/2016

Perceber a realidade ao seu redor e colocar no papel. É assim que Selena Shiva Fraga, 13, escreve suas poesias, sempre sensível aos problemas e questões sociais que a cercam. A estudante do Ensino Fundamental II inscreveu sua Poesia “Desigualdade” no III Concurso de Escritores Escolares, realizado pela Fundação Pedro Calmon/SecultBA.

Resultado? Ganhou Menção Honrosa. Selena traz à tona reflexões sobre diversas questões da sociedade, como o racismo, o machismo e a homofobia. “A poesia foi concebida observando as situações de desigualdade ao meu redor. Muitas pessoas que estão no topo se vitimizam, quando na verdade não são elas as vítimas dessa sociedade desigual”, disse Selena, estudante do 8º ano no Colégio Municipal de Andaraí.

“Pobre negro, Nas favelas abandonado; Pobre branco, No topo sendo idolatrado”.


A mãe de Selena, Helena Fraga, relata que sua filha sempre gostou de escrever. Há cerca de um ano, Selena começou escrever poesias e já acumula um número notável: “Ela é muito sensível ao mundo e à realidade que a cerca. Desde pequena escreve muito, a poesia é mais recente”.

Apenas alguns dias depois do resultado do Concurso (4/11), Selena viajou ao Rio de Janeiro para receber uma medalha de ouro da 11ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, realizada em 2015.

“Quando soube do resultado, quase ao mesmo tempo em que fui receber a medalha, a animação foi total. Eu comecei a escrever poesia como uma forma de desabafar sobre as coisas que eu sinto e percebo em minha volta.”, disse Selena. Veja o que está à volta desta escritora:

 

Desigualdade

Pobre negro,
Nas favelas abandonado;
Pobre branco,
No topo sendo idolatrado;
Pobre homem,
Se sente superior;
Pobre mulher,
Na cozinha inferior.

Pobre gênio,
Rico e bem sucedido;
Pobre leigo,
Nem viver faz mais sentido.

Pobre hétero,
Vivo e sem medo;
Pobre homo,
Já não quer mais guardar segredo.

Pobre juiz,
Fez faculdade de Direito;
Pobre julgado,
Não teve ensino, mas se deu por satisfeito.

Pobre cis,
Se aceita com as “verdades” cruas;
Pobre trans,
Vai se prostituir nas ruas.

Pobre humano,
Não tem dó nem piedade;
Pobre Humano,
Não aceita a realidade...

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