#EscritoresEscolares - Gabriel Bastos, 17 anos, contou a história de Hugo ou Vanessa.

10/11/2016

A leitura faz parte da vida de Gabriel da Silva e Bastos há alguns anos, mas a escrita, é algo novo. O estudante de 17 anos é vencedor do primeiro lugar na categoria Redação Ensino Médio no III Concurso de Escritores Escolares, realizado pela Fundação Pedro Calmon/ SecultBA.

“Repito com os meus botões quem eu sou, como meu terapeuta me dizia pra fazer: tenho 17 anos, olhos claros, cabelos claros. Mas, quando tento falar meu nome, Hugo sai como Vanessa.” Esse é um trecho de “Hugo?”, redação vencedora, escrita por Gabriel que foi inspirada num curta chamado “Vanessa”, de cuja produção – na Escola – ele participou.

O curta apresenta Vanessa, uma transgênero que se maquia diante da tela, vive seus dias, seu cotidiano. O estudante do segundo ano do ensino médio do Instituto Federal da Bahia (IFBA) - Feira de Santana, conta como o texto foi produzido.

 “Na sala de aula, tínhamos que escrever um texto sobre reflexo e identidade, mas que não falasse sobre a história do Curta. Então escrevi “Hugo?”.

A surpresa foi grande quando soube do resultado do concurso, no qual participou pela primeira vez: “Fiquei muito orgulhoso, feliz, pois comecei a escrever mesmo há um ano, e nunca soube se eu escrevia bem de verdade. Sou leitor desde os 11 anos, quando não podia comprar os livros, lia online, em PDF, mas nunca deixei de ler”.

O estudante ainda acrescenta que é fã da autora da série Harry Potter, J. K. Rowling “Me cativou pela história e pela vida pessoal. Ela se tornou uma mulher poderosa apesar de todas as dificuldades”. Destaque também para o livro “E não sobrou nenhum”, de Agatha Christie. “É o meu livro preferido”, destacou Gabriel. Hugo? Vanessa? Confere: 

HUGO?

“ISSO não é você, Hugo!”, grita minha mãe após ouvir meu desabafo.

Ela me manda calar a boca. As palavras se formam na minha garganta, mas não as digo porque a tristeza e a raiva me invadem e transbordam. Ao invés do gosto salgado, sinto as lágrimas amargas, escorrendo pelo meu rosto. Corro para o meu quarto e tranco a porta querendo me transportar para outro lugar. Vou ao banheiro e lavo meu rosto vermelho. A raiva ultrapassa minha tristeza. Explodo num grito e bato na pia com meu punho.

Levanto meu rosto e vejo o reflexo de sempre, o de uma garota, Vanessa. Ela está com uma expressão triste que não combina com ela.

 “Você não é eu!”, digo para o reflexo.

“Eu sou você.”, dizemos ao mesmo tempo. Emito surpresa e o reflexo também. Com estranhamento levanto minha mão para tocar o espelho e o reflexo faz o mesmo. Repito com os meus botões quem eu sou, como meu terapeuta me dizia pra fazer: tenho 17 anos, olhos claros, cabelos claros. Mas, quando tento falar meu nome, Hugo sai como Vanessa.

Nesse momento, percebo meu eu. Minha alma transcendendo o corpo físico através do espelho. Eu sou verdadeiramente eu. Não sou Hugo. Sou Vanessa.

                                                                                             Gabriel Bastos 

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Foto: Acervo Pessoal

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