Segunda mesa da Flica debateu literatura, trajetórias e educação

21/09/2015

Uma conversa descontraída tratando de temas como educação, carreira, desafios profissionais e, principalmente, produções literárias foram debatidas na segunda mesa literária “Muitas Andanças, Um Só Rumo”, da Feira Literária de Cachoeira (Flica), com os escritores Daniel Thame e Ana Maria Gonçalves, ocorrida na tarde do último sábado (19/09), no Espaço Cultural da Caixa Econômica, localizado na Carlos Gomes (Centro).

 

A mediação do evento foi feita pelo diretor-geral da Fundação Pedro Calmon / Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Zulu Araújo, que fez um balanço da mesa: “Além de serem escritores talentosíssimos, eles contextualizaram muito bem sobre os assuntos tratados, cada um com sua experiência, deixou o bate papo muito mais animado e rico de informações para o ouvinte”. Sob a mediação de Zulu Araújo, os escritores Daniel Thame e Ana Maria Gonçalves, além de falarem de seus trabalhos profissionais trataram de assuntos como o baixo índice de leitura e o analfabetismo funcional no Brasil, recentemente, apresentados pelo Ministério da Educação (MEC).

 

Escritores - Em uma de suas falas, a escritora Ana Maria Gonçalves refletiu como ocorre seu processo de escrita. “Cada trabalho é um trabalho. E cada escritor tem um método. Não tenho muitas regras fixas. Gosto muito de pesquisas e isso me inspira. Se estou escrevendo sobre determinado assunto leio e depois passo a escrever, assim chega um determinado momento que sinto que está pronto para publicar. Levei cinco anos para finalizar Defeito de Cor”, disse. Gonçalves também acrescentou que não vê problema em relação a cópia de livros na internet. “Livro no Brasil custa muito. Não me preocupo se a pessoa faz um download, pois, outro dia, ouvi de uma pessoa que ela tinha baixado um livro meu, mas informou que depois comprou o livro para ter consigo, ou seja, aqueles que realmente se identificam com a obra adquirem”.

Já o jornalista Daniel Thame explicou como se deu a inspiração de seu livro “Vassoura”. “É um relato de uma tragédia que assolou uma região muito rica e, por conta, da vassoura de bruxas a deixou muito pobre. Busquei informações de pessoas que perderam tudo, agricultores que foram expulsos de suas terras, trabalhadores desempregado e aludir essa tragédia a uma magnitude bíblica. Nos meus contos tem passagens do apocalipse, gênese, no qual conto uma grande história da região a partir de micros relatos das histórias das pessoas que ouvi os relatos”, informando que a publicação foi lançada em 2010. Tamm, ao ser indagado, se inspira na obra do escritor Jorge Amado, ressaltou: “Bebo na fonte dele, mas não faço plágio, ou seja, o Quincas Berros da Água, por exemplo, na minha obra vira Quincas Berros de Deus, pois ele vira evangélico e vai pregar pela paz”, explicou informando que essa contextualização é uma forma de homenagear Jorge Amado. 

Leia e Passe Adiante - Neste dia houve o lançamento da campanha idealizada pela diretoria do Livro e da Leitura da FPC “Leia e Passe Adiante”, a qual tem como uma de suas premissas a finalidade de aproximar ainda mais o livro do leitor. “Essa proposta é muito interessante porque o livro termina entrando no ciclo, ou seja, quem leu passa para o outro”, disse Jean Herbert, um dos visitantes dos estandes da campanha. Já Edy Lima, também presente no local, acrescentou: "Repassar livros para o público é forma de levar conhecimento para toda família", frisou.