A obra é uma atualização, que conta com um índice que facilita o acesso às informações do momento histórico
A Edição Comemorativa dos 220 anos da Revolta dos Búzios foi lançada ontem (24), no Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), na Baixa de Quinta, com a presença do corpo técnico, lideranças políticas e pesquisadores. A roda de conversa trouxe para o conhecimento do público mais de como o projeto foi desenvolvido.
Na solenidade de abertura estiveram presentes a Secretária de Cultura do Estado da Bahia, Arany Santana; Bárbara Camardelli, Procuradora-Geral adjunta do Estado da Bahia, Lidivaldo Reaiche, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, Maria Teresa Matos, diretora do APEB, e, o Diretor-Geral do Estado da Bahia, Zulu Araújo.
O Diretor-Geral comentou sobre a importância deste lançamento em meio ao Novembro Negro. “Lembrar deste momento histórico não é apenas falar de dor. É celebrar a publicação, celebrar a vida, combater o racismo, defender a democracia, e buscar impedir que as balas continuem a acertar os jovens negros no país, pois desde lá, as ações desses nossos heróis ecoavam o que repetimos hoje: vida negras importam”, declarou.
A publicação é resultado da emenda parlamentar, que proporcionou além da produção da obra, a realização do “Colóquio da Revolta dos Búzios”, em março deste ano, pelo Centro de Memória da Bahia (CMB). O projeto também prevê a construção de um site com conteúdos do tema, pela Coordenação de Acervos Virtuais Baianos.
“Esta edição trata de uma documentação que demonstra a riqueza das fontes documentais salvaguardadas pelo APEB/FPC, e qualifica a difusão e o acesso democrático a todas e todos a memória histórica da Bahia”, disse Maria Teresa Matos, diretora do APEB.
Lançamento
Constituído como um livro técnico, a edição comemorativa tem por objetivo contribuir para a promoção do acesso democrático às fontes documentais produzidas no momento histórico da Revolta dos Búzios, custodiados pelo APEB. O presidente do bloco afro Olodum, João José Rodrigues, que esteve na plateia, comentou sobre suas impressões do novo material. “Eu fico impressionado como esta obra consegue trazer para nós cenas do que aconteceu há 220 anos atrás”, observou.
A professora Alícia Lore, do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (ILUFBA), descreveu sobre a revisão da transcrição paleográfica que o projeto teve. “Esse é um trabalho de suma importância, pois trabalhamos as peculiaridades de um período histórico, como o uso da pena, se quem escreveu fez intervalos entre as palavras ou não. Todos esses dados, por exemplo, nos permite uma leitura mais conceitual da época analisada”, enfatizou a professora.
Na oportunidade, a professora Susane Barros, do Instituto de Ciência da Informação da UFBA, relatou mais das etapas de transcrição dos documentos do século XVIII e realizou um breve relato sobre a formatação da edição, que conta com um índice onomástico, facilitando aos leitores o acesso às informações do período.