Casa e Memorial Afrânio Peixoto realizou encontro de cultura negra de Lençóis

21/11/2022

O Encontro de Memória e Cultura Negra aconteceu nos dias 18 e 19 de novembro, atraindo ao público pela diversidade de ações

A cidade de Lençóis, conhecida pela preciosidade de seu garimpo, teve um passado marcado pela escravização de pessoas negras, durante o período escravagista. Promovendo um olhar atualizado desta história, a Casa e Memorial Afrânio Peixoto (CMPA) realizou no último final de semana (18 e 19), o Encontro de Cultura e Memória Negra de Lençóis.

Durante a cerimônia de abertura, o titular da Diretoria do Livro e Leitura (DLL), Tom Correia, salientou a importância de iniciativas que coloquem cada vez mais a comunidade negra em papéis de protagonismo.

“É preciso ampliar a conexão entre a comunidade negra que ainda vive à margem e os outros atores sociais que vivem nas sedes dos municípios baianos. Eventos como estes são importantíssimos para lançar luz nestas narrativas”, declarou o diretor.

Para Paola Publio, diretoria da CMPA, o encontro promoveu o fortalecimento da identidade do povo lençoense. “Os grupos que se apresentaram aqui ressaltam a identidade local. A partir das discussões feitas, reafirmo também que esta casa está aberta para novas perspectivas de nosso tempo”, destacou.

Durante a programação, os grupos Phylarmônica Lira Popular, a Marujada Barcas e Rios, o grupo de Capoeira Corda Bamba, o grupo Tivi Grio e o Boi Diamante marcaram presença.

Memória e Cultura Negra

Ao longo de dois dias de atividade, o público teve contato com grupos locais e discussões a partir de nativos da região. Na mesa que discutiu a força feminina, a pesquisadora e escritora de "Garimpos de Silêncio” Daniela Silva, contou sobre a presença de mulheres negras neste contexto.

“Em meu trabalho de doutorado venho discutindo que o garimpo é lugar de mulher também, mas, sobretudo, marcado pela presença de mulheres negras”, afirmou Daniela que apresentou trechos e registros da pesquisa em curso.

Durante o cineclube Tivi Griô Michele Nascimento, educadora do grupo, exibiu a aula-espetáculo “Família Grão de Luz e Griô”. “Produzir audiovisual para nós é uma oportunidade de reivindicar nossos direitos, enquanto fazemos arte. Somos um grupo cultural que está quebrando as más expectativas sobre a juventude negra”, pontuou.

Na mesa em que se discutiu a relevância da Consciência Negra para o povo lençoense, representantes de diversas frentes discutiram a importância da data. Entre diversos relatos de racismo sofrido, o representante da Avanti, Valney Souza elencou momentos representativos.

“Não me lembro que sou negro apenas quando sofro racismo, lembro quando passo no mercado e estão jogando capoeira, quando está tendo o jeré na casa de minha tia, são estes momentos que me enegresce”, reforçou o militante. O encontrou encerrou com o show Pérolas Negras do Samba, de Geovanna Costa, que trouxe letras de diversos compositores negros.