O multiartista Lui e o pesquisador Ramon Fontes apontam a popularização de informações sobre vivências de pessoas com HIV/AIDS na produção de cura social dos estigmas
No dia 1 de dezembro, em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) reforça o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, pesquisadores e artistas atualizam o debate sobre a vivência com o vírus do HIV e apontam a sensibilização e o acesso à informação para combater os estigmas na produção de cura social e poética.
Em músicas autorais como Positivo e Comigo Ninguém Pode, Lui, cantor baiano evidencia novas vivências com pessoas que falam abertamente de sua sorologia positiva. “A gente tem muito ainda que falar sobre o HIV. São 40 anos da epidemia, essa ideia de que muito se falou sobre não se verifica na prática. A gente não fala de HIV no nosso dia a dia”, expõe o artista.
Vencedor na categoria roteiro e direção, pelo Prêmio Braskem de Teatro 2022, com a peça teatral Paraíso, que retrata como um grupo de dissidentes sexuais vivenciam o HIV. Para o multi-artista ainda existe um véu do estigma que recobre as relações contemporâneas. “Ainda vivemos do imaginário do início da epidemia quando a gente não tinha muitas informações. A gente tem avanços significativos. Precisamos falar sobretudo destes avanços, e não somente no dia 1 de dezembro”, enfatiza.
“Viver com HIV não é uma sentença de morte”, conta Lui. “Eu venho falando sobre outras positividades. Pensar a positividade longe do estigma. Tento me colocar no lugar de quem auxilia no descortinar de outras possibilidades de discussão e de afirmação da vida e dos afetos. A minha arte pode contribuir para pensar como podemos construir novos imaginários”, explica.
Informação e cura social
O professor Ramon Fontes, em sua tese de doutoramento em Ecografias do HIV/AIDS, pesquisou sobre como pessoas racializadas vivendo abertamente com o vírus em suas produções artísticas têm produzido cura simbólicas. “Ainda não há a cura biomédica, mas defendi neste trabalho como esses manejos, a partir do discurso artístico apontam para uma cura poética”, afirma.
Para o pesquisador, abordagens como estas artistas promovem duplamente a sensação de libertação dos preconceitos. “Se a gente pensar que quando estas produções combatem preconceitos, entendemos que elas erguem uma bandeira coletiva, e enquanto produtoras de artes, estas, em segundo plano, forjam autonomias diante desta vivência precarizada”, salienta Fontes.
Ramon ressalta que avanços sobre o tema necessitam ser popularizados veementemente. “É importante falar que os antirretrovirais hoje evidenciam grandes avanços no nível de indetectabilidade. Neste caso, pessoas em tratamento, conseguem reduzir a possibilidade de transmissão. É preciso lembrar ainda hoje, por exemplo, que pessoas indetectáveis é igual a intransmissíveis”, destaca.
Trazendo mais informações sobre o tema, o Sistema Estadual de Biblioteca do Públicas (SEBP) realiza a exposição Dia Mundial da Luta contra a AIDS, na Biblioteca Pública Thales de Azevedo (BPTA), de 6 a 29 de dezembro. Acontece também na Biblioteca Central do Estado da Bahia” (BCEB), nos dias 7 e 9 de dezemebro, o evento Saúde nas bibliotecas: palestra sobre prevenção de IST/AIDS.