Acervos registram transformações ao longo dos 278 anos da Lavagem do Bonfim

12/01/2023

Completando 278 anos de sua realização, a tradicional Lavagem do Bonfim se transformou pelo apelo turístico da cidade unindo religiosidade e folia

Repleta de transformações ao longo do seu curso, a festa possui sua trajetória registrada no acervo físico de periódicos da Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB) e na Biblioteca Virtual Consuelo Pondé (BVCP).

Marcada pelo movimento inter-religioso, a festa une fiéis, baianos e turistas que, vestidos de branco, saúdam Oxalá e o Senhor do Bonfim há mais de dois séculos. Primeiro festejo do ano no território baiano, o tradicional cortejo ao Senhor do Bonfim se consolidou em Salvador como uma das principais festas públicas da cidade.

Realizado a partir do século XVIII, o evento se iniciou como pagamento de uma promessa do capitão português Teodósio Rodrigues Faria, após escapar de um naufrágio e se imortalizou com a confraternização de fiéis, baianos e turistas.

Para dar o tom à festa, em 1923, foram compostos dois hinos (um cívico e outro religioso) em homenagem ao Senhor do Bonfim e ao centenário das lutas de Independência do Brasil na Bahia, uma vez que, segundo os fiéis, o santo intercedeu pelos baianos nos confrontos.

Transformações e Tradição

Jornalista doutora em antropologia com a tese ‘Festa de Verão em Salvador’, onde aborda as etapas que a festa passou até o presente momento, Cleidiana Ramos, destaca a visibilidade alcançada pela celebração a partir da incorporação de outras manifestações.

"Essa celebração como todas as outras celebrações baianas existentes no calendário baiano é algo muito rico e difícil de atribuir propriedades únicas, pois são muitas contribuições, muitas heranças culturais permeando essas celebrações", pontua.

Suspensa nos últimos dois anos por conta da pandemia de Covid-19, a comemoração volta a acontecer na segunda quinta-feira do mês de janeiro, com o cortejo de 8 km, partindo da igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, com destino a escadaria da Basílica do Senhor do Bonfim.

Composta por diversos momentos de destaque, a celebração tem na lavagem das escadarias da igreja o seu ponto mais conhecido. Ato que simbolizava o alcance das graças almejadas, o simbolismo da lavagem, que se tornou o principal rito da festa, surgiu em Portugal.

Lavagem

O ato hoje marcante só ganhou este formato após uma recomendação religiosa do dom Luís Antônio dos Santos. "Um decreto foi baixado proibindo lavagens no interior de todas as igrejas. Esse rito de lavar o templo está muito presente em muitas das festas católicas, pois representa a preparação da casa, no caso a igreja, com a lavagem", explica Ramos.

Cartão postal da cidade, a basílica é local de visitação dos turistas e dos baianos para o registro da passagem e o tradicional ato de amarrar no portão da igreja ou no pulso. Segundo a tradição, ela deve ser atada no braço esquerdo com três nós, correspondentes ao pedido feito.

Mais informações sobre o festejo e as demais festas populares podem ser consultados no setor de periódicos da BCEB, das 8h30 às 18h, além de peculiaridades das festas populares no site da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé.

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