Ninfa Cunha: a dança e o despertar da alma

01/03/2023

Comunicadora e ativista Ninfa Cunha narra a experiência com a dança e a vivência de mulheres com deficiências

Entender a necessidade de ocupar espaços, cargos de liderança é um papel importante dentro do contexto representativo das minorias. Mulher, artista e comunicóloga, Ninfa Cunha encontrou dentro das dificuldades uma nova perspectiva de vida.

"Eu acho que viemos ao mundo com uma missão. Sempre digo que existe uma Ninfa antes da dança e depois da dança. Eu pensava que o mundo estava posto e precisava aprender a viver com ele”, explica a gestora cultural.

Coordenadora do espaço Xisto Bahia e integrante do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência (Coede), Cunha nasceu com uma síndrome rara, congênita, chamada Ataxia de Friedreich, que limita a sua mobilidade. Diagnosticada com diabetes há 24 anos, a produtora destaca como descobriu a dança em um momento delicado.

“É algo engraçado, pois eu comecei na dança por acaso. Descobri que estava diabética e precisava abaixar o meu açúcar através de alguma atividade física. Procurei o hospital para fazer fisioterapia, hidroterapia, mas só encontrei vaga na dança. Pensei em fazer, somente para liberar o açúcar do meu corpo“, explica.

“A primeira aula de dança, que foi uma aula de percepção corporal, que permite um mergulho dentro do próprio corpo, foi uma espécie de despertar, um estalo. Tudo começou como uma terapia, e acabou virando tanta coisa na minha vida”, complementa.

Despertar da militância Formada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas, especialista em marketing digital e redes sociais, a artista acabou gerando uma coreografia que ficou em segundo lugar no Festival Internacional Dança Bahia, em 1999, através de uma coreografia que eu não utilizava a cadeira.

Destacando os percalços vividos durante a sua primeira formação, Cunha aponta como a dança mudou a sua relação com a cadeira.

“Aprendi a entender os meus direitos, rever os meus conceitos, tudo isso, a linguagem da dança me proporcionou, me fez entrar na militância, lutar, mudar criar políticas públicas, culturais, voltadas para esse segmento”, pontua.

Apesar dos avanços graduais, a gestora e militante afirma a necessidade de uma abordagem mais precisa acerca dos problemas encontrados pelas pessoas com deficiência, como na ausência de mecanismos básicos, como a presença de intérpretes de libras, a Língua Brasileira de Sinais em locais como escolas e hospitais.

“As dificuldades são imensas, é preciso matar um leão por dia. Falar sobre leis de inclusão, acessibilidade, infelizmente, em pleno século XXI, em qualquer área, na saúde, educação, na cultura, na política, quando você trata sobre esses temas parece que é algo aramaico, como se fosse outro idioma”, finaliza.
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