Cotidiano infantil ganha livros voltados para o público

12/04/2023
abril_do_livro_infantil CAPA                                                            

Terezinha Passos e Palmira Heine, autoras de livros infantis, adaptam a linguagem para contribuir na formação pessoal de futuros cidadãos

O cotidiano das crianças é cercado de perguntas, que são verdadeiros passaportes para atravessar do mundo imaginário ao real. Com atenção a este processo natural de conversão dos conhecimentos, autores de livros infantis adaptam a linguagem para contribuir na formação pessoal de futuros cidadãos. É o que contam as autoras de livros infantis, Terezinha Passos e Palmira Heine, que integram a programação voltada ao Abril do Livro Infantil da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA).

“Quando criança eu não tinha acesso aos livros. Só aos doze anos, quando li Poliana Menina, de Eleanor H. Porter, minha vida passou  a ser diferente”, declara Terezinha Passos, contadora de histórias e autora de livros infantis. “Li diversas obras, tão marcantes como a lírica e musicalidade, por exemplo de poemas de Cecília Meireles, foi por conta do poema "Tamanquinhos" que me apaixonei por tamancos”, brinca.

De acordo com a autora, cenas cotidianas a tocaram e passaram a integrar e se transformar em histórias. “As falas de crianças, as perguntas, o jeito carinhoso e curioso de ser é para mim uma grande inspiração. A minha inspiração tem um pouco do saudosismo do tempo em que fui criança. A minha escrita está muito ligada ao afeto infantil”, realça. 

“A natureza é o cenário da maioria das minhas histórias”, conta Terezinha.  “Morei em uma fazenda por 17 anos na cidade de Saúde-Ba e lá nasceu minha primeira história, Um amor de lagartixa que traz uma reflexão direcionada ao público infantil e tem como eixo central a valorização, o incentivo à leitura, o respeito e cuidado com os animais”, ilustra.

O livro participou de diversos  eventos de literatura em Salvador e se tornou um projeto internacional passando a compor as estantes e currículos de escolas em Angola e no Cabo Verde, através da editora ÓMNIRA.

Dialogando com as crianças A autora de “Chapeuzinho no Pelô, Palmira Heine, é doutora em Letras pela Universidade Federal de Feira de Santana (UFFS), com vasto trabalho voltado para as teorias textuais e discursivas, mas com uma grande paixão, “escrever poemas e livros infantis”. 

A autora comenta que escrever  para o público infantil é uma responsabilidade e sua inspiração vem de questões cotidianas e através de conversas com crianças. “O livro “Chapeuzinho no Pelô” é uma releitura do conto de Chapeuzinho Vermelho, aí eu trago a representatividade cultural da baiana, porque uma criança me relatou que não existia livros que ela se sentisse representada como sendo baiana”, explica.

“Meus livros retratam as inquietação das crianças que têm acesso, como filhos, sobrinhos ou crianças que participam dos eventos literários quando faço sessões de autógrafos”, comenta Palmira.

Com mais de 14 livros publicados, entre livros físicos e digitais,  Palmira  aborda temáticas diversas como meio ambiente, representatividade, diferença, empatia e o trabalho coletivo, dentre outros. “São temáticas que perpassam o imaginário infantil e que as crianças estão envolvidas na sociedade e convivendo com essas contradições”, elucida a escritora. 
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