O encontro que aconteceu na tarde de ontem (19), reuniu representantes de povos Tupinambá em uma aula pública, em Itaparica
Em celebração ao Dia dos Povos Indígenas, a Biblioteca Juracy Magalhães Júnior (BJMJR-ITA), em parceria com o Grupo Cultural Os Guaranis e a Prefeitura de Itaparica, reuniu na tarde de ontem (19), à frente do centro cultural do coletivo, representantes indígenas dos povos Tupinambá na construção da história local.
Para Tamires Conceição, diretora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), o diálogo com os povos originários marca um compromisso da unidade informacional na afirmação da identidade do povo baiano.
“A ação marca uma comemoração de uma data importante, proporcionando um diálogo entre o público e os representantes indígenas, que ampliam nosso pertencimento identiário”, destacou a gestora.
“Não nos contempla mais a expressão “índios”, pois nos objetifica. Somos povos diversos, e é importante que essa galera jovem esteja nessas discussões, pois cabe a nós conhecer a verdade, a partir do povo que foi “derrotado”, não só a história de quem nos derrubou. É necessário conhecer a verdade dos dois lados”, explicou o arquiteto Luciano Mandú, integrante da mesa.
Rívia Tupinambá, liderança indígena, à frente do processo de retomada de Abrantes, com a Aldeia do Divino, em Camaçari, contou como a participação dos povos originários foi subrepresentada. “O material que foi produzido pela nossa história não tem participação indígena, então há controvérsias em diversas delas, por exemplo, romantizaram a história de violência vivida por Paraguaçu”, advertiu.
Pertencimento indígena
Ainda, o pesquisador Felipe Brito descortinou alguns conhecimentos infidos da realidade histórica. “Ouvia que minha avó foi pega no mato à dente de cachorro. Hoje eu entendo que isso se tratava de uma violência às mulheres indígenas, que eram sequestradas de seus territórios”, enfatizou.
“Entender essas movimentações históricas nos ajuda a perceber que temos sim um pertencimento indígena, e que por essa razão devemos compreender melhor essa história pois faz parte de nossa genealogia”, explanou o pesquisador.
Responsável pelo Grupo Os Guaranis de Itaparica, Emanoel Pita, ressaltou o impacto cultural do grupo para Itaparica. “São 80 anos do grupo que busca representar o encontro entre negros e indígenas, e nosso compromisso é disseminar os aspectos culturais da figura do cabloco”, ressaltou.
Após a discussão, o público pode percorrer o centro cultural dos Guaranis e apreciar a exposição realizada com imagens produzidas no dia 7 de janeiro, em que celebra o Dia dos Caboclos. A instalação segue aberta para visitação durante todo mês de abril, de segunda à sexta, das 9h às 16h, no Largo do Bonfim, em Itaparica.