Sexualidade, Raça e Leis são temas de discussão na Biblioteca Anísio Teixeira

05/05/2023
Foto_Lucas Rosário (7)
Foto: Lucas Rosário / SecultBA

O encontro que aconteceu na manhã do dia 5, trouxe o ativista Genilson Coutinho e membras do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBTQIA+

“Ser um homem negro e gay em Salvador é um desafio, imagina nos demais munícipios da Bahia”, afirmou Genilson Coutinho, ativista da comunidade LGBTQIA+, e idealizador do Portal de Notícias Dois Terços. Com atividades voltadas para o Maio das Liberdades,  em consonância com a agenda da diversidade do Governo da Bahia, a  Fundação Pedro Calmon recebeu nesta manhã (5), na Biblioteca Anísio Teixeira, o ativista para discussão.

“Penso que liberdade é ter plenitude para ser quem se é, sem medo ou receio do pensam”, explicou Genilson. “Costumam dizer que por ser negro não podemos ser gay, liberdade é ser negro e ser gay também”, destacou. “A branquitude ainda exerce grande domínio dentro da comunidade LGBTQIA+ e a gente esquece das pessoas pretas, periféricas e afeminadas que são excluídas do processo de inclusão. São essa parcela que mais sofre da violência por conta do gênero e sexualidade”, reforçou.

Para o jornalista é preciso pensar em intersecções entre as agendas políticas para promover transformações. “Fazer o diálogo entre raça e sexualidade reforça e diversifica nossos olhares, para pensar em outras possibilidades que são excluídas, como pessoas que vivem com deficiência, indígenas que são dissidentes sexuais, por exemplo, e nos lembra que buscamos a equidade para todes”, afirmou. 

Em busca de justiça social, o projeto do portal de notícias que surgiu durante a faculdade ganhou musculatura política e se tornou uma referência na luta pelos direitos LGBTQIA+. “São 13 anos nesse compromisso de amplificar vozes, seja nas plataformas digitais, seja num debate, ou quando vamos quando fazemos uma exposição, como o encontro que teremos na biblioteca. Está na ordem do dia ocupar novos espaços”, ressaltou.

Maio da Diversidade

Na manhã do dia 8, Genilson esteve na Biblioteca Anísio Teixeira (BAT), junto com a psicóloga Kátia Silva e a assistente social Mariana Guedes, que juntes compõem o Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT da Bahia, órgão ligado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH). 

“Proponho fazer um exercício de reflexão: quantas pessoas negras e ou LGBTQIA+ você lembra de ter visto em seu caminho?”, indagou Kátia. “Precisamos frear os ciclos de silenciamentos que nós mesmos propagamos. É preciso lembrar que o dia da diversidade é algo que nos atravessa todos os dias, para que possamos cuidarmos uns dos outros”, enfatizou.

Para a assistente Mariana Guedes, que recepciona pessoas em vulnerabilidade social, a escuta é fundamental na promoção de direitos. “Escutar dores é pesado, e fazemos isso cotidianos. São lares que são extremamente nocivos para essas experiências, ainda assim, nossa função é fazer com essas pessoas vejam caminhos de suas liberdades”, endossou a assistente.  

Galeria: