Com oficinas e rodas diálogos, a 7ª Semana Nacional de Arquivos se encerrou hoje (7), promovendo ao longo de 4 dias, discussões para preservação e acesso dos acervos
Iniciada em 2 de junho, a 7ª Semana Nacional de Arquivos, marcou o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), gerido pela Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult), como território vivo. Centrando a discussão na guarda, acesso e difusão de registros de vidas e épocas diferentes, as atividades, que se encerraram nesta tarde (7), contaram com oficina de Paleografia e diálogos sobre gestão documental e as interfaces áreas de conhecimento.
Ilustrando com as conexões de uma encruzilhada, Jorge Vieira, diretor do APEB, destacou a importância dos arquivos entre o passado e o futuro, na trama do presente. “Na concepção de uma encruzilhada, o APEB se torna um ponto de convergência no entrelaçamento dos documentos do passado com novos instrumentos para escrever narrativas de futuro, em decorrência das necessidades desse contexto”, declarou.
Ao longo desta semana, Alícia Duhá Lose, doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ministrou a oficina "Paleografia Aplicada ao APEB". “Ao longo desses três dias, profissionais das áreas de História, Arquivologia, Biblioteconomia, Letras, e Conservação e Restauro, puderam ver questões básicas sobre a produção e a circulação de escrita manuscrita dos séc XVI ao XIX”, explicou.
Para Alícia, o APEB se afirma enquanto território vivo pela preservação da diversidade documental. “Entre os milhares de documentos custodiados pela instituição, podemos ver o retrato da nossa sociedade, através das escritas feitas por homens e mulheres que construíram a nossa história”, destacou.
Interfaces
A mesa que discutiu “A gestão de documentos históricos: interfaces entre Arquivologia e História”, trouxe a historiadora e titular da Associação Nacional de História da Seção Bahia (ANPUH/Ba), Maria das Graças Leal, que destacou as inter relações das vertentes da Ciências Humanas Aplicadas.
“O conhecimento ganha capilaridade quando passamos a deslocar a história do Brasil do eixo Sul-Sudeste, como aprendemos. Construímos uma identidade epistemológica em torno de nós mesmos, como é o caso da Bahia, quando temos o sítio de pesquisa, o segundo maior arquivo do Brasil (APEB), diz muito desses movimentos de deslocamento que fazemos em conjunto de áreas”, salientou a diretora Maria das Graças.
“Anteriormente, a gente precisava aguardar o tempo de guarda dos documentos para dar acesso. Atualmente, o acervo já é histórico desde o seu surgimento”, descreveu Leide Mota, presidente da Associação dos Arquivistas da Bahia (AABA). De acordo Mota, a gestão documental atualmente passa por outras dinâmicas como a Lei de Acesso da Informação (LAI). “A LAI tem fundamental importância pois flexibilizar a oxigenar a garantia de um documento”, detalhou.
Também esteve na mesa, Ana Paula Ramos, arquivista à frente da instituição em Camaçari. “Eu acredito que o fomento do diálogo entre profissionais de áreas que tem objetivo comuns compõem um processo mais orgânico na superação dos entraves”, ressaltou “Entender o olhar do outro nos faz voltar para os Arquivos e implementar ações que sejam realizáveis", fortaleceu Ana Paula.