A programação seguiu com aula pública, apresentações culturais e a entrega do marco histórico da luta popular no município
Em curso por 16 municípios do Estado, o projeto “Bahia: Memórias de Lutas e Liberdade”, produzido pelo Centro de Memória da Bahia (CMB), gerido pela Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBa), chegou em sua segunda etapa, na última sexta (16). As atividades que aliam educação, arte e cultura ocorreram ao longo do dia, na Praça 13 de junho, no Centro de Saubara
Na oportunidade, o Secretário de Cultura do Estado da Bahia Bruno Monteiro, realizou a entrega do marco alusivo que reflete a bravura do povo da cidade no processo da Independência do Brasil na Bahia. "Cravamos este marco no centro da cidade para que todas as pessoas que passarem por aqui reconheçam a importância de Saubara nesta construção que tornou o Brasil livre e independente”, afirmou o titular.
O evento contou com as apresentações da Filarmônica de São Domingos, Fanfarra Padre Manoel, da Chegança de Mouros Fragata Barca Nova, e das Caretas do Mingau. Para o Diretor Geral da FPC, Vladimir Pinheiro, a programação que integra as expressões culturais locais com as aulas públicas são pontos fundamentais para uma maior compreensão da história.
“São estas representações de muitas lutas, mas com uma grandiosa vitória que tornou o Brasil independente de Portugal. Por isso, essa ação faz menção às memórias dos enfrentamentos dos baianos para alcançarmos a Liberdade”, descreveu o Diretor.
Saubara na Independência
A aula pública, ministrada pelos historiadores Cristiano Lima e Cristiane Conceição, destacou a participação do município durante a consolidação da Independência do Brasil na Bahia. “Aqui temos um destaque geográfico, por ser entreposto do Rio Paraguaçu, com altas pedras em que foram instalados canhões para barrar a entrada dos portugueses pelo litoral”, explicou o historiador.
“Além disso, a participação das mulheres foi crucial”, continuou Cristiano, “elas se vestiam de lençóis brancos, armadas, valendo-se das forças místicas que se sabiam ter aqui em nossos territórios baianos, e os assombravam. Dessa forma também, chegavam aos nossos soldados e podia alimentar com mingaus", descreveu.
O estudante do Colégio Estadual Valdelina Siqueira Santos, Derick Caleb, comentou sobre a aula. “Me surpreendi durante o evento, pois não sabia como a nossa Saubara fazia parte do processo de Independência da Bahia, pois nos livros não mostram, e hoje pude perceber a importância dessa exaltação e o nosso papel enquanto cidadãos”, ressaltou.
Ao longo da tarde o público ainda conheceu os trabalhos desenvolvidos pela Biblioteca de Extensão (BIBEX/FPC), além das formações com o Centro de Referência e Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa (SEPROMI), e as ações da Secretaria de Promoção as Mulheres (SPM).
Cachoeira
No domingo (25), o projeto “Bahia: Memórias de Lutas e Liberdade” segue em rota para Cachoeira. Foram os cachoeirenses os primeiros a proclamar D. Pedro como o Regente Constitucional do Brasil e com a Junta Conciliatória dá início à retaliação contra a presença do general Madeira e Melo. Tomado pelo espírito patriota, o povo resistiu bravamente à armada lusitana, com destaque para Maria Quitéria, a mulher soldado, uma das mártires do processo de Independência.