Os municípios integram as 16 cidades que em 2023 estão sendo homenageados pela participação nas batalhas que consolidou a Independência do Brasil na Bahia
Em roteiro pelos municípios que participaram da consolidação das batalhas pela Independência do Brasil na Bahia, o projeto “Bahia: Memórias de Lutas e Liberdade”, produzido pelo Centro de Memória da Bahia (CMB), gerido pela Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult), visitou as cidades de Candeias e São Félix, na última terça (4), e na quarta-feira (5), foi a vez dos municípios de Camaçari e Maragojipe.
Para Bruno Monteiro, titular da Secult, o projeto pretende reinserir personagens marginalizados ao longo do tempo nas celebrações do Bicentenário de Independência. “Durante muito tempo os papéis dos livros comportam uma história contada pelo colonizador, mas ela é desfavorável à realidade. Nesta gestão, temos buscado fincar a participação popular de baianas e baianas, e de sua diversidade cultural neste processo”, afirmou.
Em todas as localidades visitadas pelo projeto foi instalado um totem, que faz alusão ao marco histórico daquela região. O monumento possui uma QR Code, em que os habitantes e transeuntes podem acessar e conhecer mais sobre os marcos e personagens de cada município.
À frente da FPC, Vladimir Pinheiro reafirmou o compromisso da autarquia na salvaguarda da memória da luta baiana pela liberdade da colonização portuguesa. “Estamos neste percurso para realçar o legado de marisqueiras, de indígenas, de escravizados, libertos, e do povo em geral que fizeram frente às batalhas, para que se façam constantes em nossas memórias”, declarou. Ainda nesta semana, o projeto será realizado em São Francisco do Conde (6) e Caetité (7).
Destaques das atividades
Em Candeias, o professor Moisés Frutuoso discutiu a importância das localidades para a consolidação da Independência do Brasil na Bahia. “Debater com os estudantes permite com que eles criem uma consciência histórica e que estabeleçam uma identidade baiana, pois foi essa afirmação identitária que garantiu a vitória brasileira”, afirmou o ministrante. No município, o público ainda celebrou com as apresentações da capoeira do grupo “Besouro de Mangangá”, a quadrilha junina “Brilho Candeense” e as bandas marciais da Escola Professor Dásio José de Souza (BAMCED) e do Polivalente de Candeias (BAMPOC).
Para Samara Nascimento, líder de classe do Colégio Estadual Rômulo (CERG), o projeto que circulou pela cidade de São Félix restitui uma porção significativa para a história da Bahia. “Sabemos que o Recôncavo Baiano teve uma participação destacada, discutimos como heroínas, a exemplo de Maria Quitéria, que esteve nesse chão, garantiu um futuro mais harmônico para nós”, pontuou. O encontro culminou com as apresentações dos rappers da dupla Rajada de Consciência, Puxada de Rede Sanfelixta e do Grupo Afrodescendentes com seus Mandús e Cabeçorras, além da exposição dos estudantes do CERG.
Já em Camaçari, os estudantes assistiram a peça “Dois do Sete”, produzida pela TV Pelourinho. “O interessante dessa peça é que ela retrata verdadeiramente as grandes participações de negros e indigenas, de um modo descontraído, mas que critica algo que não vemos nos livros”, disse a estudante Letícia Oliveira. A celebração contou com a Fanfarra Municipal de Abrantes (FAMPA), Fanfarra Fanesval e a Chegança Feminina de Arembepe.
Em Maragogipe, o evento contou com a Filarmônica Terpsícope Popular e a Fanfarra do Colégio Estadual Gerhard Meyer Suerdieck, além da apresentação dos mascarados do Acompom. “Gostei bastante das aulas e do encontro de colégios aqui nas ruas, pois coloca a gente em diálogo e reforça nosso pertencimento a essa história, que, como foi debatido, ainda estamos construindo”, reafirmou o estudante Julius Sá, do Colégio Estadual Simões FIlho (CESF).
Em todas as cidades, o público ainda pode visitar a unidade móvel da Biblioteca de Extensão (Bibex), e os serviços de atendimento da Secretaria de Políticas de Mulheres (SPM) e Secretaria Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI). Também aconteceram formações do Conselho Estadual de Juventude (COJUVE) e da Coordenação de Políticas da Juventude, da Secretaria de Educação do Estado da Bahia (COJEPE/SEC), além das oficinas de projetos culturais da Secult.