Intolerância religiosa é debatida na Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, em Salvador

24/01/2024
Nesta terça-feira (23), a Biblioteca Juracy Magalhães Júnior – Salvador, unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA), recebeu líderes de diversas religiões e crenças para um bate-papo sobre o tema: Intolerância Religiosa – Ainda dá para tolerar?. A atividade realizada em alusão ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, acontece no espaço Caramuru com a interação do público presente.

Na oportunidade, as lideranças religiosas falaram sobre o respeito à diversidade de crenças e da importância do espaço para tratar sobre a temática na sociedade.

O coordenador mediúnico da Casa de Oração Bezerra de Menezes (COBEM), Robson Ferrer, pontuou que a intolerância parte do princípio da não aceitação, do não reconhecimento.

“Temos o livre arbítrio de escolher, e nós precisamos aprender a respeitar as escolhas dos outros, que são mediante suas crenças, cultura. Quando começamos a estabelecer a intolerância, percebendo que o ponto crucial quando estamos pensando a respeito desse tema, é para chamar atenção sobre a necessidade de validar as escolhas individuais. As religiões partem do princípio de que devemos acreditar em Deus, e se partimos desse princípio, devemos entender que a relação do indivíduo com a religião se estabelece numa ligação de respeito e reconhecimento”, disse.

Trazendo a visão da Igreja Batista El Shadai, o Pastor Sênior e professor de teologia, Daniel Nunes dos Anjos ressaltou a importância do debate para que as lideranças religiosas possam contribuir no debate do respeito dentro das suas comunidades e na sociedade.

“Uma grande oportunidade de fazer um debate mais profundo, numa questão de respeito, e educação que devemos ter. Nenhum de nós está aqui pra defender o seu credo, mas enquanto pensadores, formadores de opinião, em como podemos contribuir para que essa educação seja feita. Um dos princípios elementares da religião é o amor. Religião é questão de escolha, infelizmente a intolerância acompanha a humanidade desde os primórdios e ainda temos que falar sobre esse tema”, pontuou.

Por sua vez, o Pároco da Igreja de Sant’Ana, Padre Ângelo, disse: Uma das necessidades maiores do ser humano é refletir para encontrar o melhor, justo e acertado, aquilo que é importante. Quando falamos desse tema, temos que nos reportar ao fato do que eu sou. A inteligência, a vontade e a sensibilidade se educam, e a maior dificuldade do homem é se educar, e se educar significa para o outro, o reconhecimento de que sou livre e devo optar para o bem. O respeito o outro é uma coisa sagrada”, enfatizou

O Babalorixá do Terreiro Ilê Axé Ominitá, Uilson Nunes Cardoso; trouxe reflexões sobre a perseguição que as religiões de matrizes africanas sofrem e também ressaltou o respeito como primordial.

“Convivemos com muitas perseguições, os terreiros sofrem ataques que associam a nossa religião ao mal. Há ainda muito desconhecimento por parte da sociedade sobre as religiões de matrizes africanas, o que acaba gerando conflitos, mas nós levamos a paz para trazer a paz, nossa luta contra a intolerância, para combater o preconceito e para que o respeito prevaleça”.

O Missionário da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Elder McDonald, disse estar muito feliz com o convite para participar do debate.

“Uma iniciativa muito importante da Biblioteca, em unir as religiões para debater sobre intolerância religiosa, para que possamos conhecer a realidade do outro. O mundo seria muito melhor se focássemos nas nossas semelhanças. O respeito parte do conhecimento”, finalizou.

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa No Brasil, no dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei Federal nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, após a morte da Iyalorixá baiana. Fundadora do Ilê Asé Abassá, Gildásia dos Santos e Santos, conhecida como  Mãe Gilda, que teve sua casa e terreiro invadidos por um grupo de outra religião. Injustamente caluniada, perseguida e agredida física e verbalmente junto com o marido, ela morreu, vítima de um infarto fulminante.

A Constituição Brasileira, em seu Artigo V, Inciso VI, preconiza que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias, entretanto, a desinformação, o preconceito, a discriminação e a intolerância continuam sendo os principais motivos do desrespeito as religiões.