Biblioteca Virtual Consuelo Pondé lança série com textos de 18 pesquisadores/as sobre o Pós-abolição no Brasil

14/05/2024

A Biblioteca Virtual Consuelo Pondé, vinculada a Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), lança no mês de maio a série: O Dia Seguinte: Pós-abolição no Brasil. Com textos de 18 pesquisadores/as da Bahia e de outros Estados do Brasil, buscando refletir sobre as múltiplas experiências da população egressa do cativeiro, tanto aqueles que viviam em situação de escravidão no momento da Abolição, quanto os seus descendentes. Oferecendo ao público, especialmente professores e alunos da educação básica, textos com uma linguagem fluida, mas baseados em densas pesquisas. 

No dia 19 de maio de 1888, Machado de Assis escreveu sua crônica sobre o Treze de Maio. Com seu requinte irônico, analisa a recém-liberdade do personagem Pancrácio (escravo), revelando o que seria o dia seguinte. Nas palavras de Machado de Assis: “Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos”

O Dia Seguinte - Biblioteca Virtual Consuelo Pondé (bvconsueloponde.ba.gov.br)

Com o intuito de debater as experiências das populações remanescentes de quilombos baianos, a Biblioteca Virtual Consuelo Pondé convidou pesquisadores e estudantes quilombolas, fotógrafos, poetas, artistas e militantes que pudessem falar um pouco sobre as múltiplas experiências quilombolas na contemporaneidade. Falar no sentido de linguagens múltiplas; cinema, fotografia, literatura, história, ciências exatas, religião, moda, educação, arte etc. Nosso foco não é apenas no quilombo histórico, sabemos sua importância e sua força, mas desejamos pensar como as comunidades quilombolas, especialmente sua juventude, exerce este lugar identitário no mundo contemporâneo. Assim podemos ajudar a “quebrar” alguns estereótipos e preconceitos, como por exemplo: quilombo e quilombolas como sinônimos de “atrasados” e parados no “tempo”. Ser quilombola é estar no mundo, vivenciar essa experiência de forma ampla, é mais um passo em direção à cidadania e à dignidade.

Experiências Quilombolas - Biblioteca Virtual Consuelo Pondé (bvconsueloponde.ba.gov.br)

No dia treze de Maio do ano de 1888, foi decretado o fim da escravidão em terras brasileiras. Porém, a historiografia brasileira, especialmente a baiana, vem demostrando há décadas que as experiências e trajetórias de liberdade foram vivenciadas, disputadas – e em alguns casos concretizadas -, pelos sujeitos escravizados durante todo o período que perdurou a escravidão. O ato formal e legal do treze de Maio de 1888, mesmo tendo sua importância histórica, não deve – e não tem como – ofuscar a antiquíssima pauta da liberdade construída cotidianamente e forjada nos costumes: elaborada, defendida e disputada pelos escravizados e seus descendentes ao longo dos séculos.

“A Trezena da Liberdade” é uma ação da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé, que busca divulgar essas experiências de liberdade através de treze relatos de historiadores, com um artigo a cada dia, de 1º de maio até 13. Conheça as histórias de Domingos, Luiza, Lucas, Basílio, Margarida, Noberta, Victório e tantos outros homens, mulheres e crianças que lutaram – cada um a sua maneira – por dias melhores. Dias de liberdade!

 Trezena da Liberdade - Biblioteca Virtual Consuelo Pondé (bvconsueloponde.ba.gov.br)

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