Arquivo Público do Estado da Bahia rememora os 400 anos da invasão holandesa ao Brasil

19/06/2024
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Foto: Adalton Silva

Nesta terça-feira, 18, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA), realizou a palestra: “A invasão Holandesa e os documentos do APEB”, que rememorou os 400 anos do acontecimento histórico, a importância do Tribunal da Relação do Brasil, e a influência dos povos indígenas nas batalhas. A atividade contou com a participação do Desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Dr. Lidivaldo Britto e do Professor Dr. David Barbuda, com a mediação da Profa. Dra. Alícia Duhá Lose, e a presença de pesquisadores.

Na ocasião, o Desembargador Lidivaldo Britto explanou sobre o Tribunal da Relação do Brasil, atual Tribunal de Justiça do Estado da Bahia e a invasão holandesa, destacando que documentos recuperados desse período, são custodiados pelo APEB.

“O Tribunal da Relação foi o primeiro do continente americano. Com a vinda do Tribunal para a Bahia, o padre Antônio Vieira veio para Salvador, responsável por escrever a Carta Ânua relatando o que aconteceu naquele ano. Nessa época, foi o Presidente do TJ que começou a liderar a resistência à invasão holandesa. Foram muitas batalhas, os indígenas, os escravizados tiveram influência na resistência muito intensa da comunidade para que os holandeses fossem expulsos, após a expulsão houve muitas consequências para o tribunal, com um movimento para a sua desativação. Os documentos a partir de 1653, quando houve a reativação, se encontram custodiados no APEB. O acervo foi tombado como Patrimônio do Mundo, por isso há uma parceria constante entre TJ e o Arquivo”, enfatizou.

Por sua vez, o historiador Prof. Dr. Davi Barbuda Ferreira, pesquisador dedicado à história dos povos indígenas entre os séculos XVII e XIX, apresentou o resultado da sua pesquisa sobre o tema: “De aldeados a soldados: os índios nas guerras luso-holandesas”.

“A partir a inserção dos indígenas nessas batalhas, há um processo de anseios desses sujeitos. Há uma infinidade de formas de entender a resistência. Boa parte dos soldados que lutaram contra os holandeses vieram das aldeias, em sua maioria, os tupi, em especial os tupinambás. O não avanço dos holandeses na Bahia nos traz um debate sobre técnicas, táticas, militares e o protagonismo indígena. Foram cinco mil indígenas que lutaram direta e indiretamente, e esses sujeitos se interessavam por obter benefícios, pois para além da sobrevivência, livrar-se da ameaça da escravidão, na perspectiva indígena, aceitar aldear-se era um passo necessário para ascensão social para as lideranças e para a vida comunitária”, explicou.

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A Fundação Pedro Calmon disponibiliza, por meio de acesso on line, a consulta aos fundos documentais custodiados, descritos e organizados em conformidade com as normas de descrição arquivística internacionais (ISAD(G), ISAAR(CPF), ISDF e ISDIAH) e nacional (NOBRADE) pelo Arquivo Público do Estado da Bahia e Centro de Memória da Bahia.

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