Foi em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, que em 25 de junho de 1822 começaram os movimentos populares e políticos que fortaleceram a luta contra o domínio português. Um ano depois, esses esforços resultaram na expulsão definitiva das tropas lusitanas, consolidando a Independência na região. Em reconhecimento a esse marco, a sede do Governo do Estado é simbolicamente transferida para Cachoeira todos os anos, conforme determina uma lei estadual de 2007. O governador Jerônimo Rodrigues conduziu a cerimônia oficial.
A cerimônia aconteceu no centro histórico tomado por homenagens, nesta quarta-feira (25).
“Essa é uma data que nos lembra a força do povo baiano na conquista da Independência. E é muito simbólico que essa luta tenha começado aqui, com o povo de Cachoeira se levantando contra a dominação. Ao transferirmos a sede do governo para cá, reafirmamos nosso compromisso com a valorização da história e com o fortalecimento da identidade do nosso povo. Que esse gesto ajude também a inspirar as novas gerações a conhecer e respeitar o caminho que percorremos até aqui”, afirmou Jerônimo.
Alvorada de fogos, hasteamento das bandeiras, cortejos culturais e celebrações religiosas marcaram o momento.
O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, também participou das atividades e reforçou a dimensão simbólica e política da cerimônia. "Valorizamos essa data porque ela carrega o DNA da luta popular baiana. Ao celebrar o 25 de Junho, reafirmamos a potência cultural do Recôncavo e sua contribuição única para o Brasil que somos hoje. É também um ato de justiça com a memória dos que fizeram a independência de verdade, nas ruas e becos de cidades como Cachoeira."
O diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, unidade vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia, Sandro Magalhães, responsável pela política do livro e leitura, preservação da memória e história do povo baiano, também presente, falou sobre a importância do ato e das ações realizadas pelo Governo do Estado.
“A FPC realiza o projeto ‘Memórias de lutas e liberdade’, que este ano celebra os 202 anos da Independência do Brasil na Bahia, destacando o protagonismo do povo baiano na consolidação da liberdade nacional. Em 2025, o projeto está acontecendo nas escolas, em parceria com a Secretaria de Educação. Por isso, é muito simbólico esse ato em Cachoeira que enfatiza a relevância histórica dessa nossa luta por independência”, disse Sandro.
No município, também acontece a Festa Literária Internacional de Cachoeira – FLICA 2025, que será realizada entre os dias 23 e 26 de outubro. Sobre o movimento de eventos literários desse porte no estado, Sandro Magalhães ressaltou que São Félix, cidade vizinha, também sediará evento sob o selo do Bahia Literária, com investimento do Governo do Estado.
“A FLICA é uma grande referência e aqui próximo, em São Félix, também iremos ver esse grande movimento literário se expandir com a realização do I Festival Literário São Félix conta suas Yabás, que acontece de 05 a 07 de setembro. Então, para nós é extremamente necessário e simbólico, tanto para o livro e leitura quanto para a disseminação da história e memória do povo da Bahia, ter essas políticas públicas acontecendo em cada canto, reforçando a valorização da identidade do povo baiano, compromisso da gestão estadual”, finalizou.
Rowenna Brito, Secretária de Educação do Estado, lembrou o lugar de destaque que a Bahia conquistou ao realizar a FLICA por mais de uma década. “Hoje a Bahia lidera o país na realização de eventos literários e a FLICA, que este ano chega na sua 13ª edição, faz parte desta história. Só este ano são R$ 24 milhões investidos em mais de 80 eventos que promovem artistas locais e suas produções literárias, música, poesia e todas as representações de arte típicas do nosso estado e da cultura nordestina. Se a Bahia tem esse lugar de destaque nacional é porque conta com um Governo que apoia e incentiva a produção cultural do seu povo”
BAHIA: MEMÓRIAS DE LUTAS E LIBERDADE
Após passar por 19 municípios baianos, incluindo Cachoeira e São Félix, entre os meses de maio e junho, o projeto “Bahia: Memórias de Lutas e Liberdade’, realizado pela Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), chega a sua última parada, o município de Pedrão. A programação que celebra os 202 anos da Independência do Brasil na Bahia, destaca o protagonismo dos “Encourados de Pedrão”, 39 homens, vaqueiros, que partiram do nordeste do estado se aliaram às tropas de Cachoeira, e foram a Salvador participar das batalhas da Independência.
A programação realizada pela Fundação Pedro Calmon, através do Centro de Memória da Bahia, em parceria com a Prefeitura Municipal de Pedrão, acontece no dia 4 de julho, a partir das 10h, no Auditório da Secretaria de Educação - Rua Renato Valverde.