Centro de Memória da Bahia visita Terreiro do Bogum para planejar memorial em homenagem a Mãe Runhó

01/08/2025

Equipe técnica avaliou espaço e iniciou conversas para projeto expográfico de preservação da história e memória de Mãe Runhó e o povo Jeje Mahi.

Na manhã de hoje (01/08) o Centro de Memória da Bahia (FPC/SecultBA) realizou uma visita técnica ao Terreiro do Bogum, localizado no Engenho Velho da Federação em Salvador, para avaliar as condições do espaço e dar os primeiros passos na criação de um memorial dedicado a Maria Valentina dos Anjos Costa, conhecida como Mãe Runhó. A equipe foi recebida por Mãe Índia (Zailda Iracema de Melo), Márcio, presidente da Associação do terreiro, e Ubiratan que também é da casa, em um encontro que marcou o início do planejamento de um projeto expográfico para preservar a memória da líder religiosa e a história local.

Durante a visita, foram discutidos temas essenciais, como a importância de preservar a história do terreiro, além da necessidade de reviver o patrimônio cultural da comunidade. Mãe Índia destacou a trajetória de luta de Mãe Runhó, uma mulher que, além de sua atuação religiosa, trabalhava como fateira, tornando-se uma referência para a comunidade.

A visita do Centro de Memória da Bahia girou em torno de informações sobre o espaço que irá receber a futura exposição, onde foram tiradas as medidas, além de uma conversa sobre o acervo do terreiro, fotografias e objetos pessoais como a cadeira de Mãe Runhó.

Além da preservação histórica, foi destacada a mensagem ambiental deixada por Mãe Runhó, que sempre enfatizou a necessidade urgente de água e terra para a sobrevivência da comunidade. Essa preocupação está gravada em seu busto, localizado próximo ao terreiro que também fez parte da visita técnica do CMB, reforçando a conexão entre cultura, espiritualidade e meio ambiente.

Próximos Passos:
O espaço avaliado para o futuro memorial, atualmente pouco utilizado, tem potencial para se tornar um ponto de recepção a visitantes e um centro de referência cultural. A proposta inclui a criação de uma exposição permanente que conte a história de Mãe Runhó, destacando seu papel na resistência negra e religiosa da Bahia.

O Centro de Memória da Bahia seguirá colaborando com o terreiro no desenvolvimento do projeto, que visa não só honrar o passado, mas também fortalecer a identidade cultural para as futuras gerações. A iniciativa marca mais uma etapa na luta pelo reconhecimento e valorização dos terreiros de candomblé como espaços fundamentais da história e memória baiana.