Eventos literários e os impactos na formação de novos leitores na Bahia

19/09/2025

Escritores de destaque nacional comentam sobre movimentação promovida pelas feiras literárias. Só no mês de setembro, cidades baianas como Feira de Santana, Ipirá e Vitória da Conquista realizam eventos com foco na promoção da leitura.

A Bahia se prepara para viver mais treze eventos literários no mês de setembro, com isso, segue se estabelecendo como o estado do país que mais fomenta a realização de feiras, festas e festivais dessa natureza. Até o mês de agosto deste ano, 42 eventos que incentivam o hábito de ler e movimentam a economia do livro, já foram realizados, com apoio do Governo do Estado. Isso significa muito incentivo à leitura na capital e no interior, além de reconhecimento por parte de quem produz, como cinco escritores de destaque nacional, que compartilharam suas opiniões sobre a atual movimentação literária baiana, que tem promovido, inclusive, o primeiro contato das novas gerações com o livro e a leitura.  

 

Nomes como Itamar Vieira Júnior, Ana Maria Machado, Ricardo Ishmael, Emília Nuñez e Deco Lipe, figuras presentes nos eventos da Bahia, falam sobre os impactos das festas literárias na formação de novos leitores, na aproximação do leitor com o escritor e na movimentação da cadeia do livro, que tem beneficiado e incentivado o interesse do público e a inserção de novos nomes da literatura baiana no mercado. 

“As feiras literárias são importantes mecanismos de fomento à leitura.”, declara o vencedor do Prêmio Jabuti, Itamar Vieira Júnior. 

Itamar Vieira
Fonte/Crédito
Rafaela Araújo/Folhapress

 

Prestes a lançar mais uma obra, intitulada Coração Sem Medo, Itamar Vieira Junior, destacado escritor desta geração, conclui a chamada Trilogia da Terra, com lançamento previsto para outubro. Presente na programação de um dos eventos realizados sob o selo do Bahia Literária, a Feira Literária Água Quente (FLIAQ), em Érico Cardoso, cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, a 588 km da capital baiana, que viveu a primeira edição de um evento desse porte, reunindo a comunidade numa grande celebração da cultura regional, diálogo entre gerações, fortalecendo a identidade local e estimulando a leitura como instrumento de transformação social e cidadania, Itamar comentou que as feiras têm demonstrado potenciais mecanismos de fomento à leitura

 

 

O vencedor do Prêmio Jabuti ressaltou ainda, que os eventos são grandes suportes para novos autores locais, revelando jovens talentos. “As feiras permitem que os autores circulem, que encontrem os leitores, que se tornem conhecidos a partir dessa circulação. Eu sempre vejo essas feiras literárias como eventos que celebram o livro, que celebram o escritor, mas que celebram, sobretudo, os leitores.” 

 

“Eu queria cumprimentar a Bahia por isso.”, diz a acadêmica da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado, durante a 8° edição, a Festa Literária de Ilhéus (FLI).

A literatura centenária de homens e mulheres do Sul da Bahia levou para o Teatro Municipal de Ilhéus, uma grande celebração do potencial literário baiano. Ilhéus, berço de um dos escritores brasileiros mais famosos e traduzidos de todos os tempos, Jorge Amado, recebeu na 8° edição da FLI, nomes como o da escritora Ana Maria Machado, autora de livros infantis, e primeira escritora desse gênero a fazer parte da Academia Brasileira de Letras, e presidente da ABL entre os anos de 2012 a 2013.

Ana Maria
Fonte/Crédito
Bruno Veiga

 

 

Ana Maria Machado destacou a influência dos eventos na relação de pertencimento da comunidade local com a leitura e enfatizou que a Bahia tem sido uma referência: “A gente está começando a ver o fruto disso. Eu vejo por depoimento de pessoas que vêm conversar comigo, pessoas do local. Elas contam de sua relação com os livros, ou professores que estão trabalhando com os livros em sala de aula, bibliotecas que estão funcionando bem, então eu queria cumprimentar a Bahia por isso.”.

 

 

 

 

 

“Acredito que as festas literárias contribuem muito para uma infância leitora.”, declara Emília Nuñez sobre sua visão em relação ao contato das crianças com a leitura nas feiras.

Autora de livros infantis, como a premiada obra “Doçura”, Emília Nuñez cravou que as feiras literárias são porta de entrada para a formação de novos leitores. "Eu sou uma grande entusiasta das Festas Literárias, pois tenho a alegria de ver o brilho nos olhinhos das crianças enquanto escutam histórias. Para muitas crianças, as Festas Literárias são o primeiro contato com o universo da literatura. Ali, elas descobrem que ler pode ser divertido, emocionante e mágico! Acredito que as festas literárias contribuem muito para uma infância leitora.”

Eventos literários e os impactos na formação de novos leitores na Bahia
Fonte/Crédito
Divulgação

Emília é também curadora do espaço infantil na Feira Literária Internacional de Cachoeira, reconhecida como um dos principais encontros literários do Brasil, a Flica é realizada anualmente no Recôncavo baiano, e em 2025 acontecerá entre 23 a 27 de outubro. 

Grande nome do jornalismo baiano e que tem se destacado no mundo da literatura, Ricardo Ishmael, também celebra a  ascensão das feiras, que, na sua avaliação demonstra que “temos público interessado na Bahia.”. 

Ishmael foi curador da Feira Literária Internacional de Serrinha 2025 e palestrante em eventos como a Feira Literária Conexões Educacionais (FLICE), em Itaberaba, que contou com grande participação estudantil da região do portal da Chapada Diamantina. O escritor que acabou de lançar sua nova obra 'Quinca no Mundo da Lua', enfatizou que toda a movimentação em torno das feiras demonstra o interesse da população baiana pela literatura. 

“Essa robustez mostra que temos público interessado, editoras com capilaridade, além de autoras e autores diversos, prontos para ocupar esses espaços. Essa engrenagem tem dado excelentes resultados, e a prova disso é o grande volume de livros lançados e negociados nessas feiras, uma excelente oportunidade de negócio que vem se consolidado. No tocante às literaturas para as infâncias, há que se destacar o engajamento das escolas em atividades que despertam nas crianças e jovens, desde bem cedo, a curiosidade para com o livro.”

Ricardo Ismael
Fonte/Crédito
Magali Moraes

 

Representando também a nova geração de escritores baianos, o escritor Deco Lipe, criador de conteúdo literário no Primeira Orelha, projeto onde fala sobre literatura infantil, infanto-juvenil e com representatividade LGBTQIAP+, curador da Vila Literária na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), diz que o livro tem chegado a lugares que ele nem imaginava, levando em consideração a dimensão da Bahia, com 417 municípios.

 

 “É muito engraçado pensar esse movimento de literatura chegando a espaços e lugares que são tão... Na minha cabeça, eu nem sabia que tinha, e eram para mim tão inalcançáveis que, através da literatura, estou conseguindo chegar. Então, um projeto como esse, que tem apoiado, tem descoberto, tem tido tantas primeiras festas literárias e feiras literárias, tem sido muito grandioso”.
Deco Lipe
Fonte/Crédito
Rafaela Araújo

 

 

Outra iniciativa do Governo da Bahia em torno do Livro e Leitura, para fortalecer ainda mais a atuação dos escritores, é a Sala Mestres e Mestras da Palavra, inaugurada no dia 25 de julho com a presença da comunidade literária baiana. Deco Lipe, presente na abertura do espaço que fica localizado na bicentenária Biblioteca Central do Estado da Bahia, ressaltou: 

“A Sala Mestres e Mestres da Palavra é algo que é apoteótico para a literatura baiana. A gente ter esse espaço onde a gente encontra os nossos, encontra as nossas escritas, conhece novas pessoas, pode fazer eventos e atividades e buscar esse lugar. Então, é um projeto muito inovador, porque a gente não tinha isso, e é algo que é muito bonito”, finalizou. 

 

 

 

Com isso, a Bahia segue investindo nessas iniciativas para cumprir com uma das diretrizes do Plano Estadual do Livro e Leitura, que é a formação de leitores. As feiras, festas e festivais literários fazem parte de um conjunto de estratégias e ações para assegurar que o livro chegue para mais pessoas. E os resultados de toda a movimentação, têm sido demonstrados através da adesão dos municípios ao edital do Bahia Literária, que recebeu mais de 500 inscrições e contemplou 81 projetos, com foco na valorização do livro, as práticas de leitura, o estímulo à produção intelectual e o desenvolvimento sociocultural do estado, fortalecendo a economia do livro e contribuindo para ampliação dos índices de leitores, considerando os 27 territórios culturais da Bahia.