Bahia Literária: Felica reafirma o potencial artístico e cultural do Extremo Sul

06/10/2025

Caravelas (BA) - A Rua do Porto, no coração da cidade histórica de Caravelas, foi palco de um acontecimento marcante: o nascimento da Felica - 1ª Festa Literária de Caravelas, no Extremo Sul da Bahia. Realizada entre os dias 01 a 04 de agosto, a festa reuniu mais de 3 mil pessoas em uma programação gratuita e diversa, com feira de livros, apresentações maculelê, roda de samba, filarmônica, teatro, contações de histórias, rodas de leitura, show musical, lançamentos literários, bate-papos e exposição de artesanato e produtos locais.

 

A proponente do projeto, Maíra Souza, celebra o sucesso do evento e destaca sua importância no reconhecimento do potencial artístico regional. “A Felica navegou por muitos sentimentos: olhares emocionados, sorrisos poéticos, vozes de protesto, encontros e reencontros. Ver pessoas de todas as idades - estudantes, comerciantes, instituições, artistas e escritores - imersas nesse grande mar de literatura e arte foi lindo, foi gigante”, comemora a artista.

Visitas escolares e incentivo à leitura

 

Nesta primeira edição, a Felica recebeu cerca de 15 escolas e mais de mil estudantes, que participaram de contações de histórias, teatro, rodas de leitura e ações de educação ambiental em parceria com o Instituto Baleia Jubarte, ICMBio Abrolhos/Resex Cassurubá e o Projeto Meros do Brasil.

 

Para incentivar o hábito da leitura, o evento distribuiu 300 vales-livros permitindo aos alunos da rede pública trocar o benefício por obras literárias. Além disso, a Biblioteca Itinerante (Bibex), da Fundação Pedro Calmon e da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, distribuiu 250 livros gratuitamente por meio do projeto Leve e Leia.

 

A Felica também promoveu solidariedade. Por meio da campanha Bahia Sem Fome, foram arrecadados cerca de 120 quilos de alimentos, doados por visitantes. As doações foram destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade no Extremo Sul. O evento ainda movimentou a economia local com a contratação de prestação de serviços, hospedagem, alimentação em restaurante e padaria, transporte, artistas e  atrações culturais.

 

Valorização da literatura regional

A curadoria da Felica foi voltada à valorização dos talentos e editoras locais, com programação dedicada a escritores da região. Houve contações de histórias, lançamentos de livros, rodas de conversa e batalhas de poesia falada. Toda a programação contou com acessibilidade em libras, garantindo a inclusão dos surdos. 

 

O escritor Célio Leocádio, do Quilombo Volta Miúda, em Caravelas, ressaltou o impacto da iniciativa. “O evento foi maravilhoso em diversos aspectos e ofereceu uma programação que atendeu a todos os públicos. Ficou com gosto de quero mais”, afirma. 

 

Já a escritora Katiane Martins, coordenadora geral da Editora Tabuleiro, de Teixeira de Freitas, destacou a importância do evento para a região. “Falar sobre os livros, compartilhar histórias e perceber as reações, os risos, o brilho nos olhos, o silêncio atento, foi lembrar por que a literatura precisa estar onde o povo está. Nos permitiu presenciar um verdadeiro legado literário sendo construído com afeto, pertencimento e ancestralidade em nosso território”, afirma.

 

O artista plástico Dó Galdino, especialista em Cultura e Educação, também celebrou a realização. “A Felica nos permitiu testemunhar o poder da escrita e da oralidade como instrumentos de preservação da nossa memória”, destaca o artista, que mediou um bate-papo com autores caravelenses.

Arte pulsante

Além da literatura, a Felica celebrou a arte em suas múltiplas expressões. Apresentações da Filarmônica Lira Imaculada Conceição e do Grupo de Capoeira Liberdade, da Barra de Caravelas e do projeto social Unidos do BN (bateria de escola de samba), do bairro Novo, contagiaram o público com a força das tradições culturais locais.

 

Outras atrações abrilhantaram a festa, como o Slam Marginal, que reuniu poetas de Caravelas e Teixeira de Freitas. O evento também promoveu um intercâmbio artístico entre Bahia e Minas Gerais com o espetáculo Fulô das Minas, do Dama Espaço Cultural, que emocionou o público ao unir tambor mineiro, cantigas populares e poesia. O encerramento foi marcado pelo show “Oriki”, da cantora Rê Freitas, de Teixeira de Freitas, com repertório dançante de músicas autorais e de outros cantores.

Equipe e parceiros

A Felica é uma realização de Maíra Souza, em parceria com o Instituto Cultural In-Cena. Contou com coordenação pedagógica de Kamilla Nonato, assistência de produção de Paloma Serafim, Pâmila Rosário, Vanessa Santana e Rômulo Amaral, na assistência de produção e assessoria de imprensa. Também contribuíram a equipe do Instituto Cultural In-Cena: Angela Pego, Allysson Vander, Jacilene Ribeiro, Sol Dias, Araci Cachoeira, 1Berto keven, Mateus Aguiar, André Luiz Dias e Florisvaldo Júnior 

 

O evento foi contemplado no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (1/2024), por meio do Programa Bahia Literária, com apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Educação e da Secretaria de Cultura, via Fundação Pedro Calmon. A iniciativa recebeu ainda apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado, por meio da Rádio Educadora FM e da TVE Bahia.

 

Fonte
ASCOM FELICA
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