A noite desta terça-feira (31) foi de palavra viva, escuta atenta e muita troca na Biblioteca Central do Estado da Bahia, em Salvador. A roda de conversa “Vozes Femininas na Literatura” transformou a Sala Mestres e Mestras da Palavra em um espaço pulsante, onde histórias, experiências e identidades se encontraram por meio da literatura feita por mulheres.
Reunindo as escritoras Duda Santhana, Ana Fátima e Ane Kethleen, com mediação de Lorena Ribeiro, o encontro foi marcado por falas potentes, emocionantes e cheias de significado sobre o fazer literário, os desafios enfrentados e, principalmente, sobre a força das vozes femininas no cenário contemporâneo. O evento também contou com a presença do diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, que prestigiou a atividade.
Entre relatos de vivências e processos criativos, o público mergulhou em uma conversa sincera, construída coletivamente, onde cada fala ampliava perspectivas e reforçava a importância de ocupar e fortalecer espaços na literatura.
A jovem Duda Santhana, de apenas 11 anos, trouxe sensibilidade e consciência ao destacar o impacto do acesso aos espaços públicos de cultura. “Feliz por este encontro acontecer aqui na Biblioteca Central, neste espaço público que permite o acesso gratuito. Significa mais uma oportunidade para as pessoas periféricas e pretas conseguirem acessar um espaço da literatura”, afirmou.
Já a escritora e editora Ana Fátima destacou o poder transformador da palavra. “Acho incrível conseguirmos manter e promover eventos como esse, pois é a partir da nossa voz, das nossas identidades que vamos conseguir transformar vários cenários. Inclusive, o cenário editorial brasileiro”, ressaltou.
Em uma fala carregada de emoção e ancestralidade, a escritora indígena Ane Kethleen reafirmou a escrita como ferramenta de resistência. “Sou porta-voz de mulheres que um dia foram silenciadas. Carrego histórias esquecidas ou adormecidas. A escrita é uma ferramenta de luta e resistência”.
Mais do que um encontro literário, a roda de conversa foi um espaço de pertencimento, onde diferentes trajetórias se cruzaram e mostraram que a literatura também é território de disputa, memória e transformação.
A Sala Mestres e Mestras da Palavra, criada pela Fundação Pedro Calmon, vem se consolidando como um desses espaços necessários — onde autores independentes encontram visibilidade, leitores encontram novas narrativas e a literatura baiana ganha ainda mais fôlego.
Com eventos como esse, fica evidente: quando mulheres escrevem, falam e se escutam, a literatura se expande — e o mundo também.