17/02/2022
Ela foi e será sempre lembrada como uma das personagens contemporâneas mais extraordinárias, quando o assunto é samba de roda. Nascida numa família de sambadeiras e sambadores, foi nas festas de caruru de São Cosme, de Santa Bárbara e reza de São Roque e Santo Antônio que ela aprendeu a sambar, com suas mais velhas.
Quem a conhece, ou teve oportunidade de conversar um pouco, sabe que ela sempre dizia: "Eu sou o samba e o samba sou eu, eu não posso viver sem o samba. O samba é meu marido, meu amante, meu filho, meu compadre, meu companheiro, meu advogado. Pra mim o samba é tudo".
Dona Nicinha teve a sua história contada ainda em vida, em produções audiovisuais e literárias. Através do Programa Aldir Blanc Bahia, foi lançado em março de 2021 "O mundo aos pés de Nicinha", disponível no YouTube, com imagens inéditas de dois workshops oferecidos por dona Nicinha a estrangeiros. Mesmo sem falar a mesma língua, Nicinha não só revelava sua arte através do corpo, como colocava qualquer um pra sambar.
Outro produto apoiado foi o livro "Menina Nicinha", escrito por sua neta Evelyn Sacramento, no qual a autora apresenta de forma lúdica as lembranças de infância relatadas por sua avó. Dona Nicinha ainda foi uma das vozes eternizadas no álbum musical "Mulheres sambadeiras: por cima do medo, coragem".
A Bahia, o Brasil e o mundo, mas sobretudo os moradores de Santo Amaro da Purificação, perdem uma de suas memórias vivas, a manifestação da alegria e do samba de roda em pessoa. Dona Nicinha do Samba é, e sempre será, esse símbolo de força da mulher aliada à destreza e gingado do seu corpo. Como ela mesma dizia: "Me sinto como se fosse uma pombinha voando, uma coisinha leve. Quando aquele tambor me chama, aquele pandeiro me chama, aquele violão me chama, eu tenho que dar meu recado".
A SecultBA solidariza-se a todos os familiares e amigos, desejando que a energia e graça de dona Nicinha se façam presentes em forma de conforto neste momento de pesar. Fonte: SecultBa