Mestre em história e pesquisador, Célio Mota participa do Colóquio Revolta dos Búzios

17/03/2022

Dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. Também neste dia, a Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA), através do Centro de Memória da Bahia (CMB) realiza às 15h, o Colóquio Revolta dos Búzios, no Goethe-Institut Salvador com transmissão ao vivo no Youtube da FPC.

O evento que tem como objetivo preservar e divulgar informações sobre a memória e história da Bahia, contará com a palestra de abertura “Rumores, revoltas e sedições nas Américas” e duas mesas temáticas, a primeira delas “Articulação e Mobilização na Revolta” e a segunda “Búzios Quem Tú És?”, com a presença e participação de diversos pesquisadores sobre o tema.

E para exemplificar um pouco sobre esse movimento, convidamos Célio Mota, mestre em história e pesquisador de mobilidade social, identidades e resistência de libertos e livres em Salvador no final do século XVIII, para um papo sobre a Revolta dos Búzios. Célio é um dos palestrantes do evento e estará responsável pela mesa temática “Búzios Quem Tú És?”, juntamente com a professora Linda Rosa Rodrigues.

 

FPC - O que foi a revolta dos búzios?

Célio - Foi um movimento político e social que visava a igualdade sociorracial, o fim da escravidão e da colonização.

 

FPC - Quem foram os líderes da Revolta? Nos dias atuais a história os contempla de forma justa? 

Célio - Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga; João de Deus Nascimento; Lucas Dantas e Manuel Faustino. Todos pardos oriundos das classes sociais subalternas.

Embora, tenham os seus nomes registrados no panteão dos heróis da pátria no governo Dilma, a revolta dos Búzios ainda carece de visibilidade.

 

FPC - A revolta teve algum impacto na Independência da Bahia?

Célio - Não necessariamente, pois a Independência não foi um prolongamento do movimento dos Búzios. Contudo, os ideais que marcaram o movimento estavam presente no processo de "independência do Brasil na Bahia."

 

FPC - O que distingue esse movimento de outras Conjurações como a Mineira e Carioca?

Célio - O caráter heterogêneo dos grupos sociais envolvidos, predominante, oriundos das classes subalternas e suas respectivas aspirações.  Sobretudo o desejo por parte dos negros da libertação dos escravizados.

 

FPC - Neste ano celebramos 224 anos da Revolta, o que ainda falta para conquistarmos a tal igualdade pregada pelos líderes do movimento?

Célio - Acho fundamental a intensificação das lutas contra o sistema que dá suporte a exploração e as diversas formas de opressões: o capitalismo.

 

FPC - Qual a importância de um evento como esse?

Célio - Eventos como o proposto não apenas contribuem para dar visibilidade a um movimento político e social da nossa história, mas traz a discussão dos mecanismos racistas que estruturam a nossa sociedade historicamente e a necessidade constante de nós, negros, lutarmos por nossa emancipação a partir de nossas experiências sociorraciais.

Por conta da pandemia da Covid-19 o evento presencial terá restrição de público. Para participar do colóquio de forma presencial é necessário se inscrever através de formulário virtual (Clique Aqui) onde a/o participante deverá cadastrar o comprovante de vacinação com mínimo 2 doses.

 

SERVIÇO 

O que: Colóquio Revolta dos Búzios

Quando: 21 de março de 2022, às 15h 

Onde: Goethe-Institut Salvador – Av. Sete de Setembro, 1809 – Corredor da Vitória.

            Canal do Youtube da FPC - @fpedrocalmon 

Gratuito

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