Em celebração ao dia 21 de março, Dia Internacional de Luta pela Discriminação Racial, a Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), através do Centro de Memória da Bahia (CMB), realizou na tarde desta segunda-feira (21), o Colóquio Revolta dos Búzios, que homenageou o movimento emancipacionista ocorrido em 1798, na Bahia. O evento que teve transmissão ao vivo no canal da FPC no youtube, aconteceu no Goethe-Institut Salvador e contou com a presença de autoridades, historiadores, estudantes e interessados no tema.
A mesa de abertura do evento contou com a presença de Arany Santana, gestora da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), Zulu Araújo, diretor geral da FPC, Cristiano Freitas, representando o ex-deputado federal, atual vice-prefeito de Ilhéus-BA Bebeto Galvão, responsável pela emenda parlamentar que proporcionou a realização do evento e Walter Silva, diretor do CMB e mediador do evento.
Para a Arany Santana, titular da SecultBA, a realização do colóquio no Goethe-Institut reforça a importância do espaço como um local de luta negra. “Estamos no dia 21 de março rememorando a luta de anos atras, neste espaço que e de resistência, para reafirmar a importância do povo negro”, afirma Arany. O diretor da FPC, Zulu Araújo destacou que os princípios da revolta: “Esse colóquio tem o objetivo de celebrar os heróis negros brasileiros, Lucas Dantas, Manoel Faustino, Luiz Gonzaga e João de Deus, que lideraram um dos eventos mais importantes da história das américas, com os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, que continuam presentes na luta povo brasileiro, em especial da população negra”.
A professora Iacy Maia Mata, doutora em História Social realizou a palestra magna do evento intitulada “Rumores, revoltas e sedições nas Américas”, onde destacou a importância da Conjuração Baiana para os movimentos revolucionários europeus. Além da palestra de abertura o colóquio contou com outras duas mesas temáticas. A primeira delas contou com a participação da professora Herica Lene, pós-doutora em Comunicação e Cultura e do pesquisador Paulo César Oliveira, doutor em História Social.
Herica Lene, destacou a importância do movimento para a comunicação no Brasil: “Os boletins/pasquins tem um grande valor histórico, são documentos com mais de 200 anos e que apesar de não existir imprensa na época eles nos ajudam a contar a história do ponto de vista da comunicação”. O professor Paulo, apresentou a palestra “Sobre ser livre: a sedução da palavra Liberdade na Revolta dos Búzios”, onde retratou o comércio da escravatura na Bahia pós Revolta e as estratégias para burlar as restrições do império português.
O professor Célio Mota e a pesquisadora Linda Rosa foram responsáveis pela segunda mesa temática sob o título “Búzios Quem Tú És?”. “Militares republicanos na Revolta dos Búzios” foi o tema abordado pelo pesquisador Célio, que trouxe dados sobre os homens de cor, corporações militares e ascensão social em Salvador no final do século XVIII. Para finalizar o evento a pesquisadora Linda Rosa trouxe os aspectos sociais e jurídicos da Revolta dos Búzios na contemporaneidade.
O evento que foi realizado de forma hibrida contou com 90 participantes de forma presencial e online. “Para a gente que é da academia eventos como esse são de extrema importância, pois muitas vezes acabamos lendo os fatos sem um olhar crítico, e com as percepções dos professores aqui presentes podemos trabalhar ainda mais a nossa criticidade, além de ser muito simbólico a realização deste evento dia de hoje”, declara Beatriz Rocha (22), estudante de história da Universidade Federal da Bahia.