Com o intuito de resgatar a memória e a história da dança negra na Bahia, entendendo o momento de dificuldade para a captação de recursos para a produção de Cinema, no Brasil e, também entendendo a importância de documentar a relevância artística cultural da dança na Bahia, a Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), através do Centro de Memória da Bahia (CMB), apoia, através de cooperação, a realização do filme Memória da Dança Negra na Bahia.
O documentário de longa-metragem é construído a partir das vivências e saberes de mestras e mestres da dança negra na Bahia e pessoas que contribuíram para a disseminação desse fazer cultural. O filme conta com entrevistas, danças poéticas e imagens de arquivo que revelam a importância da dança negra para a construção cultural do Estado. Com objetivo de construir conhecimento e reconhecimento dos artistas negros percursores, dando voz e permitindo que a história seja contada por elas e eles, o filme que ainda não tem data de lançamento, já iniciou as gravações dos depoimentos.
Diretor geral da FPC, Zulu Araújo, é um dos convidados do documentário, por conta da sua atuação como produtor cultural no Estado e enfatizou a importância do material para a manter a memória diversa, rica e combativa da dança negra para a posteridade: “Considero que a memória da dança negra é na verdade a memória de corpos, mentes e ideias ousadas e corajosas de pelo menos duas gerações de mulheres e homens negros que fizeram dos seus corpos os veículos e as ferramentas principais pela afirmação enquanto ser humano e na luta política enquanto cidadãos, foram essas pessoas e grupos que escreveram a história da Bahia no mundo”, afirma o diretor.
Formado em dança clássica e moderna, o coreografo Zebrinha atua como diretor, roteirista e produtor do projeto que também resulta em um importante instrumento de denúncia dos diversos tipos de abuso a que o povo negro está sujeito no Brasil para poder conquistar os seus objetivos. “A importância desse projeto é de ter pretos contando história de pretos, denunciando a invisibilidade dos protagonistas da dança nos 60 e 70 aqueles que criaram a linguagem de dança chamada dança preta, ou dança afro-brasileira na Bahia, o nosso objetivo é dar destaque a essas pessoas, afinal a história da dança negra é a história da Bahia”, declara Zebrinha. O longa-metragem que conta com roteiro de Susan Kalik e produção da Modupé.