“O Brasil africanizou o português”, diz Yeda Pessoa de Castro

08/09/2015
palestra

Etnolinguista e acadêmica faz palestra nesta quinta-feira (10), no Palacete das Artes, pelo projeto #MusEuCurtoArte

A professora doutora e acadêmica Yeda Pessoa de Castro fala sobre o tema "A nossa língua africana, a trajetória de uma pesquisa", em palestra no dia 10.9 (quinta-feira), às 18h, no Palacete das Artes. A palestra, no primeiro pavimento, integra a programação da exposição Bahia é África também – coleção Claudio Masell" (pertencente ao acervo do Solar Ferrão – Dimus), na Sala Contemporânea do Palacete.

A iniciativa faz parte do projeto #MusEuCurto, #MusEuCurtoArte, de dinamização de museus, realizada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e Fundação Cultural do Estado (FUNCEB), unidades da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). A campanha conta com ações de mediação, difusão e ocupação de espaços preservados pelo IPAC.

A renomada especialista em línguas africanas ressalta que "renovar a visão do mundo é renovar a história, é elaborar um novo vocabulário para acessar as estruturas mais profundas do preconceito, a partir do princípio consagrado de que a língua natural de um povo substancia o seu espaço de identidade". Ainda de acordo com a acadêmica, ignorar as línguas negroafricanas que foram faladas no Brasil é mais uma tentativa de procurar negar a participação de seus falantes no processo de construção do português brasileiro e da segunda maior potência de população melano africana do mundo.

"Resultado de mais de 30 anos de pesquisa nos dois lados do Atlântico e no Caribe, chegamos à conclusão de que o Brasil africanizou o português de Luis de Camões, uma realidade cuja aceitação ainda encontra resistência no meio acadêmico, onde as línguas africanas são ocultadas e seus falantes emudecidos em nossa história, uma projeção de tamanha incongruência que pode-se chegar às raias do absurdo de se querer re-inventar a teoria escravista de coisificar, tornar inumano, o negro africano, e que, portanto, só começou a falar " língua de gente" quando aprendeu a falar português". (Yeda Pessoa de Castro)

Para saber mais sobre o tema, acesse esta entrevista publicada na Revista História.com link http://www.revistadehistoria.com.br/secao/entrevista/yeda-pessoa-de-castro - "A língua portuguesa que falamos é culturalmente negra A proximidade entre o português arcaico e as línguas do grupo banto resultou no português que falamos hoje". (Por Marcello Scarrone)



Serviço
Palestra "A nossa língua africana, a trajetória de uma pesquisa"
Com: Yeda Pessoa de Castro (etnolinguista e acadêmica da ALB)
Quando: Dia 10 de setembro, às 18h
Onde: Palacete das Artes, Rua da Graça, 284
71 3117 6997
www.palacetedasartes.ba.gov.br
Mais informações:
Ascom Palacete das Artes
71 3117 6997/9974 5858