Mediação do MUSEUCURTOARTE atingiu crianças, jovens e adultos

15/06/2015
MUSEUCURTOARTE_Museu Eu Curto Dança_Foto de Tomaz Neto

Lançamento do projeto realizado pela parceria FUNCEB/IPAC ocupou a manhã e a tarde do domingo, com ações no Museu de Arte da Bahia

Quem passava pelo tradicional Corredor da Vitória na manhã e na tarde do domingo (14.6) percebia uma movimentação diferente no Museu de Arte da Bahia. No interior do mais antigo museu do estado, fundado em 1918, crianças, jovens e adultos conferiam a programação de lançamento do projeto MUSEUCURTOARTE, realizada em parceria pela Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB e pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – IPAC, unidades da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). No piso quadriculado da entrada da casa, na imponente escadaria, na sala educativa e no auditório se espalhavam ações de mediação que seguiam o tema Museu Eu Curto Dança. Os visitantes, que tiveram acesso gratuito para a programação, se aproximaram, e até interagiram em muitos casos, com realizadores de diversos gêneros, como dança de rua, dança afro e balé contemporâneo.

A programação da manhã do domingo foi desenvolvida por representantes do Centro de Formação em Artes/Escola de Dança da Funceb, Universidade Federal da Bahia e escolas da EDANÇA – Associação das Escolas de Dança da Bahia. À tarde a programação foi desenvolvida pela coreógrafa e pesquisadora Lia Robatto, BTCA e espetáculos, intervenções urbanas e danças de rua selecionados do projeto Quarta que Dança 2014.

Em meio às atrações que fizeram o MAB pulsar durante todo o dia, gestores de cultura apresentaram o projeto, que será estendido até o mês de dezembro. Em sua fala, o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Jorge Portugal, mencionou que, "apesar de ter resolvido não falar mais sobre falta de recursos para ações, vou falar do MUSEUCURTOARTE, projeto que é uma resposta, uma prova de que, quanto maior a crise, maior a criatividade". A criatividade, neste caso, fica por conta da utilização de equipamentos públicos sob a guarda do IPAC para a realização de programação desenvolvida por coordenações das linguagens artísticas relacionadas à Funceb, começando pela dança.

Cada linguagem (além da dança, teatro, literatura, música, audiovisual, circo e artes visuais) ocupará dois domingos no cronograma previsto, de acordo com a diretora da FUNCEB, Fernanda Tourinho, sendo que o MAB será sempre um espaço para mediação, com a busca de aproximação do público com os artistas. "O fazer artístico é humanizador, é transformador, a mediação promove este entendimento sobre o que os realizadores pensam, o que discutem, o que compreendem. Os artistas estão aí, eles não param", argumentou.

Outros equipamentos do IPAC, como o Passeio Público, que passa por obras emergenciais, serão em breve utilizados para a programação de difusão artística do MUSECURTOARTE. Na visão do diretor geral do instituto, João Carlos de Oliveira, "a Bahia é gestora de um dos melhores museais do Brasil" e este museal deve servir não somente como espaço para exposições, mas como lugar para dinamização de acervo, ações educativas permanentes, ocupação artística de espaços contíguos, promoção de cursos, palestras, seminários, além de diálogo com todas as linguagens artísticas e tecnológicas. Também na abertura do MUSECURTOARTE o diretor do MAB, Pedro Arcanjo, falou sobre a importância do investimento em ações para atrair o público para os museus, estimulando o diálogo dos visitantes com a cidade de Salvador.

Programação de lançamento

No começo da manhã de domingo, aconteceu a Dança Infância, ação realizada pelo CFA/Escola de Dança da FUNCEB em parceria com a EDANÇA – Associação das Escolas de Dança da Bahia, voltada para o público infanto-juvenil. No MAB Dança Estela Serrano, da escola Contemporânea de Dança, envolveu as crianças com o ambiente e com peças do acervo do museu, estimulando movimentos do corpo, como a imitação das estátuas do hall. No final da manhã o Grupo Juvenil da Escola de Dança da FUNCEB faz apresentação mediada de Boi Gira-Bumbá. O coreógrafo e professor da escola Denny Neves explicou ao público a origem do espetáculo e convidou pessoas a elaborarem um figurino de rainha nagô a partir de sacos plásticos.

No período da tarde aconteceu a ação Eu Curto Dança, desenvolvida pela DIRART/Coordenação de Dança e BTCA, foca a mediação de produtos artísticos do setor, voltada para o público em geral. A coreógrafa e pesquisadora Lia Robatto ministrou o encontro teórico prático Dança no Museu, abordando estratégias poéticas de mediação de público desenvolvidas pela dança, voltado para grupos profissionais de dança da cidade. "Fico fascinada como cada artista traz uma resposta diferente. Por isso não posso impor movimentos. Cada bailarino é único e tem muita coisa própria para colocar", considerou, ao observar as apresentações finais dos participantes.

A escadaria e o salão de entrada do MAB foram movimentados a partir das 15h pela Mediação de Dança, programa com quatro apresentações mediadas de obras selecionadas no Quarta que Dança 2014: Farpas e Lâminas de Um Corpo Visível, de João Perene Núcleo de Investigação; Antítese, da Liga do corpo; Contactos , de Ananias Break; e We Can Do It!, de Michel le Arcanjo. Ao mesmo tempo, o público conferia trechos dos espetáculos, que se alternavam até o fundo, onde foi montado o Caleidoscópio, onde muitos faziam fotos com a moldura do MUSEUCURTO.

Finalizando a programação do dia, Eu Curto BTCA contou com apresentação mediada de trecho do espetáculo Agô Arerê: Por Favor Não Aperte o Mamão, criação de Tuca Pinheiro e dramaturgia de Carmen Paternostro e de Sob Rasura. Durante o dia foram exibidos, em TVs distribuídas pelo museu, dois filmes de dança e o flip book filmados e fotografados no canteiro de obras do TCA. Em julho um novo domingo do projeto MUSEUCURTOARTE será destinado à dança. Saiba mais em http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/ e www.ipac.ba.gov.br.