
Gil Vicente Tavares, Lelo Filho e Fernanda Tourinho (na foto, com Ernesto Marques)
A segunda edição do Sarau da Imprensa discutiu Cênicas e Sustentabilidade na noite desta quinta-feira, 25.02, na sede da ABI, Centro Histórico. O evento recebeu como convidados a diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), Fernanda Maria Tourinho; o diretor, dramaturgo e compositor, Gil Vicente Tavares; e o ator, produtor, diretor e autor Lelo Filho. A curadoria do projeto é de Ceci Alves. O encerramento ficou por conta da banda Matita Perê, com repertório em homenagem a Dorival Caymmi. O debate foi mediado pelo jornalista Ernesto Marques, idealizador do projeto, que anunciou que o diálogo a ser iniciado “poderia ser duro mas sem perder a ternura jamais”.
O mediador fez abordagens relacionadas ao tema da noite e, ao convidar Fernanda Tourinho para o início dos trabalhos, questionou a fórmula dos editais públicos. Fernanda Tourinho abriu sua fala dizendo estar no governo, mas “sou cidadã, uma pessoa que batalha há muitos anos nesta área, e penso que os editais foram construídos com a sociedade, para se chegar a um novo modelo de fomento do Estado, isto foi um avanço”. Ela argumentou que o Estado entrega o recurso para que então os projetos dos proponentes sejam encaminhados, em busca do uso consciente dos recursos. “Os editais devem ter uma conexão com o futuro, para que seja um fomento sustentável das artes”.
Lelo Filho relembrou sua trajetória artística, desde os tempos em que fez o Curso Livre do Teatro Castro Alves, quando a cena baiana era formada por grupos fechados. “A companhia Bahiana de Patifaria surgiu nesta época, em que os artistas ensaiavam três meses para ficar em cartaz quatro finais de semana. A subsistência do ator era muito difícil”. Mas a partir do sucesso de Abafabanca e, depois do marco A Bofetada, o teatro baiano sofreu uma grande mudança, narrou. Ele registrou que o público que lotava os espetáculos com atores globais passaram a prestigiar o teatro local.
“Hoje o processo de revolução sofre nova mudança. O que a Companhia faz é não deixar a qualidade cair, sempre priorizando o profissionalismo e comunicação com o público”, concluiu o diretor da companhia que levou A Bofetada para 51 cidades do país. Ele considera que realmente o público prestigia o grupo, ao sair de casa, enfrentando dificuldades como estacionamento, segurança. “A gente tem consciência de que mobiliza uma cadeia da economia grande, do pipoqueiro e guardador de carro ao empresário que acredita em investir na cultura”.
Gil Vicente exemplificou casos bem-sucedidos de investimento em cultura, citando o Banco do Brasil, que em pesquisa recente registrou que o retorno da aposta financeiro é bem significativo. Além de investimentos privados, ele também citou falhas em fomentos públicos, citou ações de Portugal e comentou sobre contrapartida social. Gil também resgatou fatos do início profissional, quando formou-se com dificuldade, em um mercado que analisou como fechado, aquela altura marcado por nomes como Los Catedrásticos, Rita Assemany, Ricardo Castro.
Sobre editais, Gil defendeu que nomes e grupos com maior destaque e trajetória poderiam ser analisados de forma diferenciada por bancas examinadoras. “Eu sermpre penso em um projeto penso no alcance que um projeto vai ter”, raciocinou. ”Nós só vamos ser sustentáveis quando nossa ética, o nosso fazer, for igual a respirar. A sustentabilidade não é um tema, é o fazer”, complementou Fernanda Tourinho.
O projeto Sarau da Imprensa – uma série de seis encontros que ocorrem até o mês de junho, sendo um por mês, sempre às quintas-feiras, às 19h – aborda assuntos que não encontram espaço para discussões aprofundadas, por meio de debates, recitais, apresentações cênicas ou musicais, sempre com atrações artísticas que dialogam com o tema proposto em cada encontro. As próximas edições terão as seguintes temáticas: A Escrita e o Poder; Música, Baianidade e Lugar de Fala; Artes Visuais e O Real Des-visto; Fotografia, Novas Tecnologias e Futuro.