Retrospectiva SecultBA 2016

27/12/2016
Acontecimentos que marcaram a Cultura da Bahia, no ano que se encerra

Este foi um ano difícil, mas a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia não se intimidou diante das dificuldades, e a crise deu lugar à criatividade. Um exemplo é o evento pensado pela Fundação Cultural do Estado que vai ocupar o Palacete das Artes nos próximos dois meses com foco no que há de mais puro nas linguagens artísticas. Exposição, sétima arte, cantoria, bate-papo. O nome da já diz tudo “Tropicália: Régua e Compasso”, um esquenta para o carnaval 2017 que vai homenagear os 50 anos do Tropicalismo. Isso é Cultura. Sim é cultura, mas para realizar é preciso dinheiro, e no cenário de poucos recursos a SecultBA apostou nas suas duas linhas de fomento – Fazcultura e Fundo de Cultura – para movimentar a cena cultural numa clara decisão de apoiar os agentes culturais que tanto fazem, que tanto trabalham para não deixar a peteca cair...
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Os números falam por si, só com o Fazcultura 48 propostas captaram recursos em 2016, num total de R$11 milhões de benefícios concedidos (até o dia 13/12), o que representa 72% de utilização dos R$15 milhões de recursos aprovados para incentivo fiscal pelo Programa. Vale destacar que em 2015 foram utilizados R$9,4 milhões. Este ano, grandes eventos mapearam o Estado da Bahia, a exemplo do Festival Sangue Novo, Mercado Iaô, Enxaguada Du Bonfim, Festival Caymmi de Música, Festival de Cultura Japonesa, Concerto Pérolas Mistas, PERCPAN, FLICA, Música no Parque, Vivadança Festival Internacional, Tempero do Forte, Prêmio Braskem de Teatro, Jam no MAM, e tantos outros.

O edital de Mobilidade Artística deu mobilidade a muitos projetos. Três chamadas públicas entre 2016 e 2017, um investimento de R$ 750 mil com limites de R$ 50 mil para intercâmbio e difusão e R$ 25 mil para residência artística e cultura e formação Artística.

E como o tempo não pára, a SecultBA já está de olho no triênio 2017/2019 do Edital de Ações Continuadas de Instituições Culturais, lançado no segundo semestre deste ano. O programa tem como objetivo apoiar as ações culturais de instituições que tenham relevância histórica e cultural para o Estado. Atualmente, são beneficiados a Academia de Letras da Bahia, Associação Cultural Tarcília de Andrade, Fundação Anísio Teixeira, Balé Folclórico da Bahia, Fundação Casa de Jorge Amado, Fundação Hansen Bahia, Museu Carlos Costa Pinto, Fundação Pierre Verger, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Museu da Misericórdia, Teatro Vila Velha, Teatro Gamboa Nova e Teatro Popular de Ilhéus.

Nunca se viu tantos recursos alavancando os Editais Setoriais, os de 2016 provocaram uma correria, afinal vão ser despejados investimentos da ordem de R$ 39,620 milhões. Ao todo, 23 segmentos artístico-culturais foram contemplados, dentre eles, música, audiovisual, circo, literatura, patrimônio e o inédito para capoeira. 3.265 projetos foram inscritos e 372 selecionados na fase de análise de mérito. Deste total, 273 projetos foram homologados após a entrega da documentação exigida.

Fazcultura e Fundo de Cultura da Bahia, uma dupla dinâmica. O Fundo selecionou 15 projetos para o triênio 2017/2019. Houve uma renovação de 50% das propostas, alcançando diversas regiões do Estado. O investimento total é de R$ 3 milhões anuais, com até R$ 300 mil por edição de cada projeto. Alguns dos selecionados são velhos conhecidos do público, outros vieram para ficar. Veja: Festival de Jazz do Capão, Festival Internacional da Sanfona, Vivadança Festival Internacional, IX Festival Internacional do Chocolate e do Cacau da Bahia, Festival Internacional dos Artistas de Rua, Panorama Internacional Coisa de Cinema, Fenafits – Festival Nacional de Teatro Infantil de Feira de Santana, Mostra Cinema de Conquista, Encontro de Cordas do ICED, Festival de Dança de Itacaré – ano IV, XXVII Cantoria de São Gabriel, IC Encontro de Artes, Fiac Bahia, Semana da Cultura Territorial de Conceição do Coité – Circuito das Artes do Sisal, Filte Bahia 10 anos e Mais – Festival Internacional Latino Americano de Artes Cênicas da Bahia.

E a Superintendência de Promoção Cultural também investiu no aperfeiçoamento. Entre junho de 2014 e agosto de 2016, o Escritório Bahia Criativa #Incubadora realizou ações de apoio ao empreendedorismo criativo em todos os 27 Territórios de Identidade do estado, totalizando 3.652 atendimentos presenciais a profissionais criativos nas atividades de formação e consultoria.

Continuando nosso passeio por ações que muitas vezes passam em brancas nuvens, mas que precisam ser divulgadas podemos citar o Mapa da Palavra 2015/2016, um raio-x, produzido pela FUNCEB sobre a produção literária da Bahia. A revista com o resultado da pesquisa foi lançada durante a Flica – a Feira Literária de Cachoeira, hoje a segunda maior do país, perde apenas para a Feira de Paraty. A Fundação também se debruçou sobre o Mapa Musical da Bahia 2015/2016 com o objetivo de mapear músicos, compositores e demais profissionais da área, visando contribuir para o desenvolvimento das políticas públicas para a cadeia produtiva da música em nosso Estado. Foram mapeados 1.279 profissionais, 2.100 cadastrados, 96 municípios abrangidos, em 27 territórios de identidade.

O Pelourinho continuou sendo o grande palco musical da capital. De janeiro a novembro de 2016, a SecultBA realizou através do Centro de Culturas Populares Identitárias – CCPI, 630 eventos apoiados e realizados através do Credenciamento Artístico para o Projeto Pelourinho Cultural. O Carnaval do Pelô fez 81 contratações entre artistas de palco e grupos de rua. O Carnaval Pipoca levou para as ruas 19 microtrios e nanotrios, e o Ouro Negro trouxe a beleza de quase 100 agremiações.

O secretário Jorge Portugal fez, ao vivo, o lançamento do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger (2016/2017) que tem como meta incentivar e divulgar trabalhos fotográficos que tenham se destacado no cenário nacional. Serão concedidos prêmios em três categorias. A comissão julgadora indicará, ainda, 12 trabalhos que juntamente com os três premiados, participarão da exposição coletiva e do catálogo do prêmio. O prazo de inscrição vai até março.

A icônica Sala Walter da Silveira manteve a tradição de ser a referência quando o assunto é a Sétima Arte, exibiu filmes internacionais, inéditos no Brasil, de perfil mais popular, através de parceria com a Cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro, do MPLC-Motion Picture Leasing Corporation, da Cinemateca do MAM-RJ e do Instituto Goethe. Foram 432 sessões de janeiro a dezembro de 2016, com público beirando os seis mil expectadores. Ainda na programação Mostras Especiais com 96 sessões de janeiro a dezembro atraindo um público de 4.305 pessoas.

O Teatro Castro Alves “bombou” recebendo 94 eventos na sala principal com público estimado em 103.223 pessoas. O “Domingo no TCA” fez a diferença. Foram apresentadas 11 sessões de espetáculos artísticos, sendo três espetáculos teatrais, cinco shows, um espetáculo de dança e dois de literatura. Projeto de inclusão social com ingressos a R$1,00 (inteira) e R$0,50 (meia), arrastou um público de 11.250 pessoas que lotaram a sala para assistir peças como: Bispo, com João Miguel e o show performático de Larissa Luz, Território Conquistado. Conectada com a sociedade a direção do teatro realizou ainda outro projeto o “Conversas Plugadas” que chegou a cinco edições com as participações dos atores Ricardo Castro, João Miguel, o coreógrafo Luiz Arrieta, o compositor Elomar e a estilista Carol Barreto, em bate-papo intimista sobre suas trajetórias profissionais.

Mas, a grande vedete deste ano foi a Concha Acústica reaberta em grande estilo com o Festival “Eu Sou Concha” que atraiu 20 mil pessoas em quatro dias de shows espetaculares como o de Maria Bethania que recebeu Margareth Menezes como convidada. Teve ainda Carlinhos Brown, Lazzo Matumbi, Projeto Kindembu, Baiana System, Ney Matogrosso e Novos Baianos. Até agora já foram apresentados 43 eventos com 146.567 de público.

No campo do livro e leitura a Fundação Pedro Calmon foi além das palavras, num casamento perfeito criou um projeto que une poesia e música, intitulado “O Violão e a Palavra” que foi apresentado durante a Flica. Mais de 1.500 pessoas participaram da primeira edição que teve como convidados os compositores Roberto Mendes e Jorge Portugal dialogando sobre suas experiências com as canções, com as letras e com Santo Amaro, cidade de nascença dos dois. A idéia é estimular a formação de leitores onde quer que eles estejam. Esta preocupação ganhou corpo numa outra ação, a FPC fez a doação de 3.800 livros a nove Espaços de Leitura localizados em presídios e penitenciárias de todo o estado por meio de sua Biblioteca de Extensão.

E se está comprovado que o hábito da leitura precisa ser incentivado desde cedo, a Fundação não perdeu tempo e realizou a III edição do Concurso Escritores Escolares que premiou 24 alunos de escolas públicas e privadas de todo o estado. Aproximadamente 600 estudantes do Ensino Fundamental I e II, e Ensino Médio de 15 Territórios de Identidade participaram. Cada candidato teve a oportunidade de se inscrever com obras inéditas - poema e/ou uma redação – ficcional.

E para encerrar o ano a FPC cumpriu mais uma missão, em homenagem ao Terreiro Bate Folha que está celebrando seus 100 anos, organizou um seminário entre os dias 03 e 04 de dezembro, para debater e apresentar a história do Terreiro, tendo como ponto crucial, a salvaguarda da religião do culto afro-brasileiro de Nação Congo-Angola (ou apenas Angola) na Bahia. Na ocasião, foi firmado um convênio com o Governo do Estado, por meio da Fundação Pedro Calmon (FPC), para a construção do Memorial Terreiro do Bate Folha. A celebração ainda contou com lançamento de selo personalizado; e a entrega da Cápsula do tempo e Exposição fotográfica 100 anos depois.

Ufa! O ano está acabando, mas um novo está chegando e com ele novos projetos, novos desafios, uma nova jornada. A Secretaria de Cultura se prepara para arregaçar as mangas, botar a mão na massa e trabalhar na publicização da OSBA, na realização do prêmio Pierre Verger, nas obras de modernização da Sala do Coro e da Sala Principal do TCA e o carro chefe, Escolas Culturais programa que irá transformar as escolas públicas do Estado em Espaços de Arte e Cultura.

Agora sim, adeus 2016. Que venha 2017!