01/11/2017
Ela atua como professora de dança afro-brasileira e coreógrafa, desenvolve pesquisa com foco nesta dança e sua relação com a mitologia africana no contexto contemporâneo. Marilza Oliveira é nossa primeira entrevistada na série #FuncebEntrevista, que vai compartilhar relatos profissionais, culturais e artísticos, envolvendo as linguagens coordenadas pela FUNCEB. Marilza é uma das pesquisadoras que estarão junto ao Núcleo de Estudos em Dança Afro-Brasileiras – Agô, lançado pela Funceb/SecultBA nesta quarta (01). Marilza é ex-aluna e professora da Escola de Dança da Fundação, foi a primeira docente negra de Dança na Universidade Federal da Bahia(UFBA). Confira entrevista:

Foto: Diney Araujo
#FuncebEntrevista - Como você vê a criação de um Núcleo de Estudos voltado para Danças Afro-Brasileiras?
Marilza Oliveira - É importante reconhecer que existe uma potência dentre essas culturas, e a criação desse Núcleo é uma iniciativa com responsabilidade social e artística. Chega para fortalecer e dar espaço para se pensar, discutir e expandir essas danças que fazem parte da nossa cultura para outros lugares, reverberando e modificando pensamentos equivocados sobre o assunto.
#FuncebEntrevista - Qual o papel da Escola de Dança no combate a esses pensamentos equivocados ?
Marilza Oliveira - A Escola de Dança é referência. Não só porque já fui aluna e professora de lá, mas por que é responsável pela formação e esclarecimento de muitos jovens. Ela possui a responsabilidade de difundir as danças e buscar sempre fazer esse diálogo, divulgando pra quem não conhece. E, através dos espetáculos, combater o preconceito direcionado à dança de matriz africana.
#FuncebEntrevista - Que análise você faz da presença negra feminina na Academia, pensando e consruindo conecimento sobre a Dança?
Marilza Oliveira - Na construção da Dança, a figura e representação do homem é importante, porém ainda está bem à frente das mulheres, assim como em muitas outras atividades, o que só fortalece o machismo. Entretanto eu, e outras mulheres, nos dedicamos a pesquisas e seguimos na luta para modificar essa realidade. A formação de espaços como o Núcleo Agô visa propagar a cultura através desta troca de experiências entre alunos e educadores, com o objetivo de difundir e reforçar a projeção dessas discussões relevantes e muitas vezes silenciadas que cercam a história do povo negro e das danças afro-brasileiras.

Foto: Andreia Magnoni