Lançamento de Núcleo de Estudos em Danças Afro-Brasileiras inaugura Novembro das Artes Negras na Funceb

02/11/2017
Lançamento de Núcleo de Estudos em Danças Afro-Brasileiras inaugura Novembro das Artes Negras na Funceb -- Foto: Dayse Cardoso
O Núcleo será coordenado pela Escola de Dança da Funceb (Foto: Dayse Cardoso)


A noite desta quarta-feira (01 de novembro) marcou a abertura do projeto Novembro das Artes Negras, iniciativa da Fundação Cultural do Estado/Secult/BA que terá diversas atividades artísticas durante todo o Mês da Consciência Negra.

O auditório do Liceu, onde está sediada a Funceb, no Pelourinho, estava cheio de artistas, acadêmicos, estudantes e demais profissionais ligados à Dança, que puderam compartilhar de suas experiências quanto à criação, vivência, estudos e pesquisas sobre a dança afro-brasileira em nosso estado. O Núcleo é uma demanda antiga nesta área, que tem a potência proporcional à sua importância na expressão dos corpos negros em meio às Artes.

O lançamento foi aberto pela apresentação de músicos da Escola de Dança da Funceb, seguido do solo do dançarino Alan Silva, ex-aluno, que apresentou “Exú”. A secretária de Cultura do Estado (Secult/Ba), Arany Santana, a diretora Geral da Funceb, Renata Dias, além de dirigentes e coordenadores das linguagens artísticas geridas pela Fundação, estiveram presentes.

Mestre King -- Foto Dayse Cardoso
(Foto: Dayse Cardoso)

A convite do diretor da Escola de Dança da Funceb, Jackson do Espírito Santo, estava lá  também ele que é a memória viva da dança negra na Bahia e no Brasil: o coreógrafo Raimundo Bispo dos Santos, mais conhecido como Mestre King, primeiro homem negro a se graduar em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). King saudou e cantou para  o público, em dos momentos mais emocionantes da noite; ele é precursor da dança afro-brasileira, elemento fundamental do repertório cultural baiano.

Para a Secretária de Cultura, Arany Santana, eventos como estes são de grande relevância. “Este encontro debate a história da dança afro na Bahia, que conta a história que muitos desconhecem. Inclusive, hoje é o aniversário do Ilê Aiyê, que faz 44 anos e foi lá, onde tudo começou. A dança afro é o nosso grande legado, fico contente pois a Fundação Cultural abraçou esta causa e hoje nós temos uma Escola de Dança com mais de mil alunos afrodescendentes, que valoriza e estimula a dança afro”, comemora. 

A Escola de Dança da Funceb atua, há mais de 30 anos, na formação, difusão, pesquisa e memória das danças de matriz africana. O Núcleo AGÔ será, portanto,  espaço exclusivo para potencializar as experiências, temáticas e técnicas que transitam nas práticas educativas e estéticas das danças populares e afro-brasileiras.

“A Escola de Dança é a primeira escola de dança pública do Norte e Nordeste. Estamos trazendo aqui hoje, através do núcleo, um estudo em profundidade com a concepção da dança afro brasileira, então a gente convoca a comunidade de dança e de pesquisa - que são potências que se encontram neste momento -, para ampliar esta discussão, aprofundar nosso pensamento a respeito da posição que as influências africanas assumem na nossa cultura”, disse a diretora geral da Funceb, Renata Dias.

Ela complementa: “Quando a gente coloca as influências africanas como protagonistas das discussões da cultura, a gente está colocando elas no lugar onde elas sempre deveriam estar, porque é esta influência que faz  parte do nosso processo de identidade como povo, por isso é uma iniciativa de grande importância e a Fundação se orgulha quando vê muitas pessoas aqui reunidas para celebrar uma atividade de relevância como esta”.

Contexto legal, amplitude e relevância artística!

Foto Dayse Cardoso
(Foto: Dayse Cardoso)
 
O Núcleo Agô nasce em respeito e consonância com os princípios orientadores da Política Estadual da Cultura descritos na Lei Orgânica da Cultura 12.365, publicada em 30 de novembro de 2011, quando reafirma perante à sociedade a valorização da identidade, da diversidade, da interculturalidade e da pluralidade, ao mesmo tempo em que assegura o direito à memória e às tradições presentes na cultura da Bahia.

Para a coordenadora do AGÔ,  a coreógrafa e professora, Roquidélia Santos, esta ação é um momento de análise,“A importância deste núcleo é ele ser um espaço para reflexão, de pesquisa, para que as pessoas possam se aprofundar nesta questão da dança afro que é tão importante e que nós temos aqui na Bahia e no Brasil”, acredita.

Já para Sueli da Conceição proponente do Edital Setorial de Dança da Funceb 2016, iniciativas como essas valorizam a dança de negros e negras.  “Essas ações contribuem para que tenhamos uma metodologia,uma cartilha escrita, um registro dessas danças, que através delas, somos nós falando através dos nossos corpos negros”, explica.

Opinião semelhante com a da aluna da Escola de Dança da Funceb, Lorena Chavier que diz: A dança é um momento muito importante, porque podemos nos expressar através do corpo, o que você não conseguiu falar pelas palavras, o corpo fala e isso fortalece a representatividade da dança afro, que não é tão valorizada, mas eventos como estes são de grande importância. É gratificante pois atividades assim nos representa”, conclui.

Com esta ação, a Funceb lança, em 2017, o projeto Novembro das Artes Negras, com diversas atividades que contemplarão as sete linguagens geridas pela Fundação, propondo oficinas, exposições, exibições audiovisuais, apresentações musicais, poéticas é muito mais.