#CalendárioDasArtes – Projeto levou oficinas de danças e histórias ciganas a Itabuna

21/12/2017
Filhos do Vento – Dança: Oração e Tributo à Vida (Foto: Divulgação)
Filhos do Vento – Dança: Oração e Tributo à Vida (Foto: Divulgação)

Um dos 35 premiados pelo Calendário das Artes 2017, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA), foi Filhos do Vento – Dança: Oração e Tributo à Vida - Workshop de Danças e Histórias Ciganas, que levou aulas de diversos tipos de danças ciganas durante três dias (17 a 20 de dezembro) a cerca de 300 itabunenses. O projeto buscou fortalecer a cultura e a memória do povo cigano e recebeu forte apoio da comunidade.

No primeiro dia do evento houve palestra com o Dr. Jucelho Dantas, cigano da etnia calón e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). No dia seguinte, aconteceram oficinas das danças Rumba Cigana (Espanha) e Estilo Romanê (Leste Europeu). Já no dia 19, foi a vez das oficinas de Dança Cigana Russa e Roda de Conversa, e no último dia, oficina da dança Kalbelia (Índia) , além de roda de conversa com a comunidade cigana de Itabuna.

O evento contou também com a mediadora, Drª em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francismary Silva; com a família Fortuna Rebouças, representantes da comunidade cigana itabuense; e com a bailarina, coreógrafa e professora de Danças Ciganas, Adriana Melo.

“Filhos do Vento teve uma repercussão muito positiva, foi muito além do cultural, foi uma ação social. O Calendário das Artes possibilitou um estímulo à cultura cigana muito forte, houve uma repercussão maior do que esperávamos. Vieram ciganos de outras cidades inclusive, como Feira de Santana e Camaçari”, disse a proponente do projeto, Dayse Santos.

Filhos do Vento – Dança: Oração e Tributo à Vida (Foto: Divulgação)
Filhos do Vento – Dança: Oração e Tributo à Vida (Foto: Divulgação)

Ela conta que “Filhos do Vento surgiu com dois propósitos: primeiramente fortalecer o movimento da dança na cidade de Itabuna, oferecendo uma modalidade nunca trabalhada em oficinas a nível local e segundo, e, sobretudo, dar visibilidade à cultura de um grupo que historicamente vem sendo vítima de atitudes discriminatórias e excludentes”.

Dayse é bailarina com formação pela Royal Academy of Dancing e mestranda em Ensino e Relações Étnico-Raciais pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Há 14 anos ela mantém um grupo de balé onde desenvolve trabalhos de formação em dança clássica para jovens, que em sua maioria são de comunidades com altos índices de vulnerabilidade, oferecendo voluntariamente uma oportunidade para um caminho profissional.

Sobre o Calendário das Artes a proponente destaca: “é um mecanismo para dar voz e vez ao anseio de um grupo numeroso, embora tantas vezes esquecido pelas políticas públicas e sociedade. Este é, sem dúvida, um dos editais de maior relevância para artistas e produtores por sua acessibilidade, formato menos burocratizado, sensibilidade às pequenas ações e democratização”, finaliza Dayse que pretende expandir essa atividade para todo litoral Sul.