#CalendárioDasArtes - Ancestralidade e Novas Narrativas: Região de Lauro de Freitas terá Mostra com peças grafitadas

25/01/2018
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O projeto Ancestralidade e Novas Narrativas: A Iconografia do Candomblé na Estética do Grafite, contemplado pelo edital Calendário das Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBa) e coordenado pelo soteropolitano Filipe Santos Baqueiro, tem o objetivo de juntar símbolos de religiões africanas através da arte do grafite.

Serão realizadas três visitas para exposições das peças artísticas desenvolvidas pelos jovens que participaram das oficinas. A primeira ocorrerá nos próximos dias 26 e 27, no Terreiro Ilê Axé Odé Yeye Ibomin no bairro de Portão, em Lauro de Freitas. O evento terá entrada gratuita.

tintasA proposta busca compreender a arte enquanto propulsora relevante para a mudança em busca do desenvolvimento da cultura, trabalhando com elementos do candomblé por meio da expressão do grafite. “Além disso, o projeto tem o intuito de aproximar a comunidade do terreiro, e através das rodas de diálogo, ‘enegrecer’ diversas questões da qual o candomblé e seus adeptos são estigmatizados”, explica o proponente que também faz parte do coletivo Ibomin que tem como um dos propósitos o combate a intolerância religiosa e vem realizando ações pela região de Lauro de Freitas, em particular no bairro de Portão, onde fica o Terreiro.

Ogã no Ilê Axé Odé Yeye Ibomin, Terreiro onde foi iniciado, Filipe recebeu o cargo de Ojuobá e fundou o coletivo Ibomin. O proponente fará a primeira exibição para expor sua proposta e ressalta a importância de misturar arte às religiões africanas e como isso pode ser uma forma pra combater o preconceito: “é essencial para o fortalecimento e perpetuação das religiões de matriz africana que aprendamos a dialogar o universo simbólico tradicional com as linguagens próprias da juventude contemporânea. A arte pode ser esse vetor de reflexão e combate à intolerância religiosa”.

sprayProposta - As obras são resultado de 20 horas de oficina de grafite, dividida em seis encontros e uma roda de conversa com a Yalorixá Odalice do Carmo. Foram criados mais de 40 produtos que aproximam o universo simbólico das religiões de matrizes africanas e dispõe de utensílios utilizados no dia a dia por moradores das comunidades de terreiro como quartinhas (pequenos potes de barro), aguidás e peneiras de palha.

O processo de criação se deu com a co-realização do Coletivo Cultural Ibomin, que já atua com jovens, principalmente através da linguagem audiovisual e também por contações de histórias. Contudo surgiu a idéia de “debatemos a possibilidade de trabalhar com símbolos de nossa cultura afro-brasileira a partir de outra linguagem artística”, conta o coordenador do projeto. Em fevereiro, outros dois espaços receberão a visita das obras do Ancestralidade e Novas Narrativas, os locais serão divulgados em breve.

exposiçãoFilipe, que é graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestrando com pesquisa direcionada na área da Sociologia da Arte, mais particularmente sobre o samba, segue em busca de enaltecer e fomentar a Cultura de sua ancestralidade em parceria de novas linguagens.

Afirmando a importância em participar do Calendário das Artes ele diz “é fundamental para o fortalecimento de atividades no campo da cultura, ainda mais no momento político em que passa nosso país; modificar a vida de diversos jovens através da arte nos enche de orgulho e satisfação ao colhermos os frutos desta caminhada. Ademais, uma oportunidade como esta que tivemos ao participar deste edital, nos abre um horizonte de diversas possibilidades de seguirmos trabalhando com essa mágica linguagem que é o grafite”, finaliza.



Serviço:

Exposição do Projeto Ancestralidade e Novas Narrativas
Quando: 26 e 27 de janeiro (sexta e sábado) das 14 às 18 h
Onde: Ilê Axé Odé Yeyê Ibomin (Rua Bela Vista, 21, Queira Deus, Portão, Lauro de Freitas – próximo ao Galpão Malibu I)
Informações: Coletivo Cultural Ibomin | (71) 9 9282-4770 | coletivoibomin@gmail.com | facebook.com/ileibomin
Evento Gratuito


*Ogã - no candomblé e religiões afins, título e cargo atribuído àqueles capazes de auxiliar e proteger a casa de culto e aos que prestaram serviços relevantes à comunidade religiosa.

*Ojuobá - é uma palavra da língua Yorubá e significa "Os Olhos do Rei" ou "Os Olhos de Xangô". Ojuobá faz parte do culto do Orixá Xangô, pois representa um Oyê, ou seja, um título de honra concedido a pessoas que se tornavam altos sacerdotes no culto de Xangô em África ou no candomblé no Brasil.

Fotos: Divulgação