Diretora-geral da Funceb, Renata Dias, participou de bate-papo sobre a visibilidade da mulher negra nas artes

23/04/2018
“Narrativas Negras – A visibilidade da mulher negra nas artes e na cultura baiana” (Foto: Amanda Moreno)
“Narrativas Negras – A visibilidade da mulher negra nas artes e na cultura baiana” (Foto: Amanda Moreno)

A voz das mulheres negras, artistas e gestoras culturais, ecoou pelos quatro cantos do subúrbio de Salvador no último final de semana. No sábado (21), aconteceu a primeira edição do Bate-papo na Laje “Narrativas Negras – A visibilidade da mulher negra nas artes e na cultura baiana”. O encontro aconteceu na Casa 2 do Acervo da Laje, no final de Linha de São João do Cabrito, em Plataforma, subúrbio de Salvador.

A diretora-geral da Funceb, Renata Dias, participou do bate-papo e falou da sua trajetória profissional e das estratégias da Funceb para desmitificar o mito da democracia racial. O evento fez parte do projeto Ocupa Lajes – Formação e Circulação de Artes Visuais nas Lajes de Salvador foi contemplado pelo Edital Setorial de Artes Visuais do Fundo de Cultura com apoio da Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBA).

“Essa iniciativa é importante e motivadora. Falar das perspectivas de atuação da mulher negra no cenário das artes na Bahia é um momento de muita importância de participação da Funceb, que é a Fundação que tem como missão a promoção do desenvolvimento das linguagens artísticas, sobretudo nesse lugar das invisibilidades e de como o poder público pode atuar para visibilizar e conferir o crédito a essas produções que são marginalizadas”, destacou a diretora geral, Renata Dias.

Participou também do bate-papo a professora, artista e fundadora do Acervo da Laje, Vilma Soares, que contou a sua trajetória de vida até a idealização do Acervo. A professora e artesã, Ivana Magalhães, também contou sua história e como surgiu a idéia do “potinhoterapia” – pintura realizada em potes de cerâmica; e a artista visual Aislane Nobre, falou sobre a sua exposição e oficinas sobre as diversas cores de peles que existem.

A artista e professora Tina Mello e a museóloga Joana Flores, também contaram sobre as dificuldades encontradas por serem mulheres negras nas suas respectivas áreas de atuação. O bate-papo foi mediado pela jornalista e produtora cultural, Milena Anjos. Realizado à beira da Baía de Todos os Santos, de frente para os trilhos onde passam o Trem do Subúrbio, o bate-papo conectou e envolveu todos os participantes que se identificavam com aquelas histórias.

A pedagoga e policial militar, Josélia Rodrigues, por exemplo, trabalha com projetos de prevenção dentro das periferias e escolas públicas. “A primeira vez que sofri racismo foi aos 8 anos, quando eu, menina de origem muito pobre, fui estudar num Colégio de Freira, em Alagoinhas, pago com muito custo por meu pai, que chegou a ser menino de rua”, disse Josélia. A participante aproveitou para ler um poema escrito por ela nessa idade, chamado “Negra Cor”, que emocionou a todos.

Acervo da Laje – O Acervo da Laje é um espaço de memória artística, cultural e de pesquisa sobre o Subúrbio Ferroviário de Salvador (SFS), região que reúne aproximadamente 10% da população da capital baiana, segundo o IBGE. Sua galeria é composta por biblioteca, coleção de discos, fotografias, manuscritos, tijolos, azulejos e porcelanas antigas, artefatos históricos, quadros e esculturas, entre outras peças.

“Narrativas Negras – A visibilidade da mulher negra nas artes e na cultura baiana” (Foto: Amanda Moreno)
“Narrativas Negras – A visibilidade da mulher negra nas artes e na cultura baiana” (Foto: Amanda Moreno)