29/05/2018

Nos dias 14 e 16 de junho de 2018, o projeto “Orixás em Cordel – Contação de Histórias em Terreiros” chega aos Terreiros Unzó Tatetô Lembá, em Camaçari, e Unzó Tumbenci, em Lauro de Freitas, respectivamente, reunindo roda de conversa, muito samba de roda e leitura de trechos da publicação que dá nome à iniciativa, o mais novo livro do mestre Bule Bule, “Orixás em Cordel”. O projeto foi contemplado pelo Calendário das Artes da Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBa).
Estas atividades encerram um ciclo de 4 visitas a Terreiros de Candomblé da Região Metropolitana e Recôncavo Baiano, a primeira realizada no dia 29 de abril no Ilê Axé Ibomin, também em Lauro de Freitas, Portão; e a segunda no Terreiro Icimimó, em Cachoeira, no dia 12 de maio, esta última com a participação ilustre do compositor, cantor e instrumentista Mateus Aleluia, filho de Cachoeira, e que prefaciou o livro.
Dois elementos de extrema importância simbólica para a cultura brasileira – a literatura de cordel e o panteão africano – se encontram em “Orixás em Cordel”. De autoria do mestre da cultura popular nordestina, Antônio Ribeiro da Conceição, artisticamente conhecido como Bule-Bule, o livro foi apresentado ao público em abril, em noite de autógrafos que reuniu cerca de 200 pessoas, no foyer do Teatro Castro Alves.Reconhecido como o maior repentista da Bahia, Bule-Bule – que também se destaca como cordelista com mais de 100 títulos publicados – revela que a escolha do tema se deu ao perceber a lacuna deixada na literatura de cordel para conteúdo de tamanha relevância para a identidade cultural do país, inclusive pelos maiores nomes deste segmento literário.
Entre a leitura compartilhada, por autor e participantes (que são os filhos das Casas, comunidade do entorno, admiradores da obra de Bule-Bule), de um trecho e outro da obra; há o debate sobre a ausência desta abordagem na Literatura de Cordel, com o questionamento colocado pelo próprio Bule para a plateia, levando a reflexão sobre o preconceito velado na sociedade, importância dos negros contarem suas próprias estórias, a relação entre o mitos das culturas que sempre buscaram se fazer prevalecer e os mitos presentes nesta cultura berço da humanidade, que é a Africana.
Editado pela Pinaúna Editora – empresa baiana que tem como linha editorial a publicação de livros relacionados à arte e à cultura do estado, tendo em seu catálogo títulos como O Reggae de Cachoeira, Cantador de Chula e Graffiti Salvador – o livro tem ilustração de Klévisson Viana e orelhas do pesquisador de Literatura de Cordel, Marco Haurélio. No Terreiro, as atividades são também sempre permeadas, e muito animadas, pelo samba de roda puxado pelo Mestre, que tem sido acompanhado pelos músicos Téo Guedes e Shalom Adonai.

Serviço:
Orixás em Cordel - Contação de Histórias em Terreiros
Quando: 14 de junho, às 16h, no Terreiro Unzó Tatetô Lembá, em Camaçari,
16 de junho, às 15h, no Terreiro Unzó Tumbenci, em Lauro de Freitas
Evento gratuito
Fotos: Emerson Leandro Silva