16/05/2019
Cores de roupas e comportamentos pré-estabelecidos para meninos e meninas, cada vez mais tem gerado discussões que repensam a diversidade de masculinidades e feminilidades possíveis. Estrategicamente, a poesia tem sido um instrumento útil para sensibilizar o olhar para estas inquietações. Com respeito às identidades, a parceria do Irdeb e Funceb, traz na segunda edição do Grafias Eletrônicas autores preocupados com os aspectos dos gêneros.
Erika Ribeiro é professora e realizou projetos como “[DI]Versos” e a “Cia Árvores que dá versos”, que buscava o respeito à diversidade e identidades plurais. Além disso, é coordenadora do Coletivo “Vozes-Mulheres: além das margens” e pesquisadora da Poética de mulheres do Vale do São Francisco. “Minha existência está alicerçada na defesa da palavra e dos corpos livres, no ser em cada letra posta, de cada verso dito e sentido. Eu sou porque a escrita é em mim”, ressalta.
Erika Ribeiro é professora e realizou projetos como “[DI]Versos” e a “Cia Árvores que dá versos”, que buscava o respeito à diversidade e identidades plurais. Além disso, é coordenadora do Coletivo “Vozes-Mulheres: além das margens” e pesquisadora da Poética de mulheres do Vale do São Francisco. “Minha existência está alicerçada na defesa da palavra e dos corpos livres, no ser em cada letra posta, de cada verso dito e sentido. Eu sou porque a escrita é em mim”, ressalta.

Erika Ribeiro, residente de Juazeiro é uma das selecionada do Grafias Eletrônicas (Foto: Acervo Pessoal)
Com a escrita voltada para a feminilidade, “Inadequo-me” confronta a imposição de padrões de comportamento às mulheres por meio da linguagem poética. “Não só nesse poema, mas em toda a minha produção, a minha pretensão é instigar, provocar o sentir do leitor, aguçar a sensibilidade para questões existenciais e sociais importantes, a exemplo do respeito às mulheres”, revela.
Não tão distante, o jornalista Breno Fernandes faz a poesia aliada para reconstruir o imaginário sobre as masculinidades.
Após escutar o relato de uma amiga que temia cortar os cabelos longos com medo de perder a feminilidade, Breno buscou algo que se assemelhasse aos padrões sociais estabelecidos para homens. “Me veio à mente aquela frase clássica: ‘Homem não chora!’ e me dei conta de que a lágrima era o ponto frágil no corpo do homem tradicional”, conta. Breno define “Chorar em Via Pública” como “um vislumbre no interior de um sujeito que não lida muito bem com o ímpeto de chorar no meio da rua”.

Breno Fernandes, participante escreve sobre masculinidade (Foto: Acervo Pessoal)
Além de jornalista, Breno é acadêmico e se diz “poeta bissexto”, tendo sua produção majoritariamente de texto em prosa. Um dos poucos textos em poesia é “Chorar em Via Pública”. O soteropolitano já publicou quatro romances infanto-juvenis, tendo um deles conquistado o segundo lugar do Prêmio Biblioteca Nacional em 2018. “A escrita é a melhor forma de transmitir o que está na minha cabeça para outras cabeças, esse trânsito é uma aprendizagem!”, afirma.
Para Breno, o Grafias Eletrônicas é uma inovação no cenário literário. “O encontro de um texto com o leitor, na maior parte das vezes, depende da iniciativa do próprio leitor. A meu ver, ao lançar textos na programação audiovisual e radiofônica da cidade, o Grafias gera uma situação especial em que o leitor lerá. É um barato”, exalta Breno.