21/10/2019
Durante todo o final de semana, de sexta a domingo (18 a 20/10), dançarinos, pesquisadores, estudantes e entusiastas da Dança de São Sebastião do Passé e região estiveram imersos na programação do V Seminário de Criação em Dança.
O evento, realizado pela Fundação Cultural do Estado, através de sua coordenação de dança, contou com a apresentação artística de grupos de dança locais, além da apresentação da bailarina do Balé do Teatro Castro Alves, Luiza Meireles; mesa de discussão e Workshop de Criação em Dança com o artista criador David Barros.
A coordenadora de Dança da Funceb, Janahina Cavalcante, destacou a importância do Seminário para os artistas da região: “acredito nesse elo potente de fomentar a criação enquanto formação. Estivemos fazendo um levantamento de que cidade do Macroterritório 2 poderia receber a quinta edição desse Seminário; e os artistas de São Sebastião do Passé sempre me relataram a carência de projetos, oficinas, mostras, relacionados a dança, apesar de ser tão próximo de Salvador. E aqui as danças urbanas, o hip hop tem uma presença muito forte. Neste ano pela primeira vez inserimos a mostra com artistas locais com a intenção de trazer os artistas para o seminário e dar destaque também às produções artísticas no município”.
A bailarina do Balé do Teatro Castro Alves, Luiza Meireles, foi a primeira a se apresentar no Seminário com o solo "Lugar de Preta: uma conversa performance autobiográfica", e, após, participou da mesa de debate Processos Criativos em Dança, ao lado de David Barros e com mediação de Janahina Cavalcante.
Luiza conta que o espetáculo une dança, teatro e performance: “é uma conversa performática horizontal, onde consigo me comunicar com o outro. O tema é justamente o meu projeto de pesquisa no mestrado na UFBA ‘a falta de bailarinas negras nas companhias oficiais de dança’. Eu faço uma crítica direta e necessária dessa falta de mulher preta em cena. Homem negro sempre tem para levantar a mulher branca, mas mulher negra é muito raro. Os meus processos de criação passam por aí, pelo meu contexto de mulher negra”.
Workshop e Mostras artísticas
O Workshop de Criação em Dança aconteceu nos dias 19 e 20 de outubro com o artista intérprete-criador e professor de Dança Popular, Urbana e Contemporânea, David Barros. Com 12 anos de experiência em Dança, David é também fundador do Grupo Insight, de danças urbanas, atuante há seis anos na capital baiana.
“Trouxe um pouco do que vivi e minha experiência com danças urbanas, especificamente relacionada ao último projeto que participei – o espetáculo ‘Às vezes nem é, mas é’ -, construído junto com o Grupo Insight. O espetáculo é uma fusão entre dança popular nordestina, história tradicional de migração, seca e sertão, e a linguagem de danças urbanas e hip hop. O workshop tratou justamente de como a gente usou a estratégia de fusão de técnicas, que são dois campos naturalmente bem distintos”, contou David Barros.
Willian de Azevedo, fundador do grupo Expetimentus Cia de Dança, de São Sebastião do Passé, que apresentou a coreografia Escape, fala da sua participação no Seminário: “me identifiquei muito com o tema do seminário devido ao trabalho que estou fazendo atualmente aqui na cidade. Estamos nesse processo de criação, de conhecimento corporal e do que é dança, além de laboratórios. Essa troca de conhecimento com os grupos e o workshop, promovidos pelo Seminário da Funceb, é uma porta que se abre, uma visão maior para eles que estão iniciando. Hoje o grupo conta nove jovens com idade entre 16, 17 anos”.
Viviane Veiga, da Cia Lápis Lazuli, também participou do Seminário, além de fazer mediação entre a Funceb e os artistas da cidade, e conta sua experiência: “Já trabalhamos com dança do ventre há quatro anos, fizemos diversas apresentações, inclusive no VIVADANÇA por dois anos seguidos. De antemão achei a proposta do projeto ótima para a cidade, porque a gente está realmente carente de cultura em São Sebastião do Passé. Então essa atividade veio justamente preencher essa falta de incentivo”. Na mostra, Viviane apresentou o solo “Reverse”, e com o grupo dançou a coreografia “Na batida”.
A entusiasta em Dança, Valmira Santos, moradora de São Sebastião do Passé, não é profissional mas esbanja um volumoso currículo em Dança. Nos últimos anos ela já fez aulas de dança do ventre, swing baiano e Fit Dance. “A dança para mim é o que me motiva, é minha inspiração. Passei três anos na cadeira de rodas por causa da fibromialgia, depois desse processo emagreci 50 quilos, sem dieta ou cirurgias. Então a dança é muito importante para mim, me faz lembrar meu filho que pedi quando ele tinha 13 anos, ele adorava me ver dançar, e isso é o que me move na dança até hoje.
O Seminário contou ainda com as mostras de Sauara Costa (Sobre/a/carga), Alex Ferreira (Fênix), Marveikan de Souza (Freestyle) e David William Alves (Robotics).
Fotos: Amanda Moreno