#PPV – Trabalho documental de André Conti convida o público a visitar o íntimo de sua memória e as transformações ao logo do tempo

22/10/2019
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Lembra daquele lugar que você amava visitar quando criança? Você já voltou lá e percebeu como tudo está diferente, mas ainda deixa aquela sensação de pertencimento? Foi essa a inspiração da obra “Antes Eu Nunca Estive” de André Conti, participante da 7ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, organizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). A obra fala do território íntimo do fotógrafo e as modificações ao longo do tempo.

“Eu sou muito interior”, é deste modo que o fotógrafo se apresenta, a partir dos cômodos, objetos e utilitários da casa de veraneio da família, que fica no interior da capital paulista. “É um lugar que visito desde a infância até os dias de hoje”, explica André. Entre 2014 e 2015, o fotógrafo deu início ao ensaio “Vertentes”, em que documenta a parte interna do imóvel.

Seguindo pelos caminhos de chegar ao lugar de predileção e também de identidade de André, seu trabalho começa a ganhar amplitude. “Nesta nova versão do ensaio, percorro as estradas e as rotas que costumava fazer quando criança e percebo o quanto há de desconhecido”, relata o fotógrafo.

É a memória afetiva do lugar e o desejo de retê-lo que fez André transformar os arredores e o movimento das lembranças na obra que integra a Exposição Coletiva e o Catálogo desta edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, a qual recebeu ainda menção honrosa na Categoria 2 – Fotografia Documental.

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Lugar íntimo na exposição coletiva

Em “Antes Eu Nunca Estive”, André percebe a partir de suas lentes as modificações de caminhar pelas recordações. “Na infância eu ia a cavalo com amigos até uma fazenda próxima tomar banho de cascata. Ao tentar fazer o mesmo itinerário recentemente eu já não encontro este lugar”, conta André. É neste trecho que a habilidade do fotógrafo de 47 anos se encontra com as peripécias das idades vividas no lugar.

r“Neste auto-documento eu insiro alguns elementos de ficção para ligá-los, apresentando assim uma nova narrativa”, detalha o fotógrafo. Altamente afetivo, o trabalho parte dos rastros e resquícios das paisagens e personagens frequentes dos lugares, na busca do artista por compreender suas transformações e o forte sentimento de pertencimento que ainda desperta. “É uma visão romântica sobre mim”, declara.

Por ser extremamente pessoal, André não acreditou que poderia participar da exposição coletiva.  “É muito gratificante participar do Prêmio, pois nunca imaginei que as pessoas poderiam se interessar por algo tão íntimo”, fala. “Diferentemente dos demais participantes que apresentam trabalhos mais afirmados politicamente, ver meu trabalho entre os selecionados é entender a fotografia como um universo para além de suas definições”, ressaltou André. 

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Visitações
Até o dia 24 de novembro, amantes por fotografia e interessados nas diversas discussões apresentadas pelos fotógrafos, podem ver as obras selecionadas no Prêmio Pierre Verger, de terça a sexta-feira, das 13h às 19h; e nos sábados e domingos, das 14h às 18h, no Palacete das Artes, na Sala Mário Cravo Júnior, no bairro da Graça, em Salvador.

Serviço:
Prêmio Pierre Verger - Exposição Coletiva
Visitação: 9 de outubro a 24 de novembro, de terça a sexta-feira (13h às 19h), sábado e domingo (14h às 18h), na Sala Mário Cravo Junior
Local: Palacete das Artes (R. da Graça, 284 - Graça)
Gratuito