20/11/2019

“Todo capoeirista sonha em conhecer África e suas danças de combate”, assim surgiu o insight do fotógrafo carioca Edu Monteiro para composição da obra “Memória Ancorada na Pele”, que levou a menção honrosa na categoria 3 - Trabalhos de Inovação e Experimentação do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia.
“A ideia surgiu da minha experiência como capoeirista de gerar imagem-corpo e da prática fotográfica cotidiana de dar corpo a imagem. A partir desse princípio me lancei nessa roda”, descreve Edu como colocou em jogo as posições de fotógrafo, capoeirista e doutor em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
O fotógrafo traz para a exposição coletiva uma instalação escultórica inédita, que une numa mesma roda a capoeira e a luta senegalense, laamb. São oito caixas de ferro oxidadas dispostas em círculo, dentro delas estão as imagens impressas em couro, em alusão à membrana dos tambores.
Os espectadores podem ouvir uma fusão de berimbaus da capoeira e outras gravações realizadas com tamboreiros acompanhados por cantoras no Senegal, que produz uma complexa polirritmia. “Tentei permear poeticamente estas rotas, através do diálogo sonoro e pus em roda para que os espectadores pudessem dar a volta ao mundo, como dizemos quando o capoeirista faz a volta em torno da roda”, explica Edu.
“A ideia surgiu da minha experiência como capoeirista de gerar imagem-corpo e da prática fotográfica cotidiana de dar corpo a imagem. A partir desse princípio me lancei nessa roda”, descreve Edu como colocou em jogo as posições de fotógrafo, capoeirista e doutor em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
O fotógrafo traz para a exposição coletiva uma instalação escultórica inédita, que une numa mesma roda a capoeira e a luta senegalense, laamb. São oito caixas de ferro oxidadas dispostas em círculo, dentro delas estão as imagens impressas em couro, em alusão à membrana dos tambores.
Os espectadores podem ouvir uma fusão de berimbaus da capoeira e outras gravações realizadas com tamboreiros acompanhados por cantoras no Senegal, que produz uma complexa polirritmia. “Tentei permear poeticamente estas rotas, através do diálogo sonoro e pus em roda para que os espectadores pudessem dar a volta ao mundo, como dizemos quando o capoeirista faz a volta em torno da roda”, explica Edu.

Sincronizando passos na diáspora
“Meu interesse pelas lutas africanas e da diáspora são decorrentes da prática de capoeira desde a infância”, narra Edu. Seus primeiros ensaios registravam viagens feitas de Porto Alegre a Salvador, muitas de ônibus e outras de carona para aprender a capoeira angola aqui em Salvador. Estes caminhos se ampliaram na pós-graduação que se debruçou sobre a capoeira.
“Conexões entre danças de combate africanas e da diáspora ainda são pouco estudadas, dentro desta perspectiva, acredito no valor desta proposta”, relata o fotógrafo. “Unir laamb e capoeira é navegar nas matrizes africanas que nos deram a riqueza e a complexidade de saber coexistir com o ancestral mítico”, reafirma. Participar da exposição coletiva para Edu representa um passo à frente dentro de uma disputa cultural. “Estamos em um momento de colapso político, conservadorismo e ataques à cultura afro-brasileira. Esta exposição lança luzes para inúmeras questões sociais brasileiras e se posiciona firmemente contra qualquer tentativa de apagamento ideológico e cultural”, avalia o fotógrafo.
Apesar do contexto cada vez mais bélico, o fotógrafo indica que a premiação é uma oportunidade para se alegrar como na capoeira ou no laamb. “O Prêmio Pierre Verger é um dos mais importantes da fotografia brasileira e vai diretamente ao encontro destes princípios, motivos de sobra para me orgulhar muito de ser um dos participantes desta edição”, celebra Edu.
Veja mais obras de Edu Monteiro no Instagram e no site.
Visitação
Bateu a curiosidade? Corre que ainda é possível ver a exposição coletiva com os artistas selecionados para a sétima edição no do Prêmio Pierre Verger até 24 de novembro. De terça a sexta-feira, das 13h às 19h; e nos sábados e domingos, das 14h às 18h, no Palacete das Artes, na Sala Mário Cravo Júnior, no bairro da Graça, em Salvador.
Serviço:
Prêmio Pierre Verger - Exposição Coletiva
Visitação: 9 de outubro a 24 de novembro, de terça a sexta-feira (13h às 19h), sábado e domingo (14h às 18h), na Sala Mário Cravo Junior
Local: Palacete das Artes (R. da Graça, 284 - Graça)
Gratuito