05/12/2019

“Enquanto surfamos pela internet e por nossos temas inter-relacionados, uma outra rede prospera nas suas entranhas. Não apenas a dimensão do Mal que a caracteriza surpreende, mas o fato de serem comunidades (virtuais) e de atuarem no sentido de intensificar e propagar a crueldade”.
Foi dessa forma que a fotógrafa e professora da Universidade de Brasília, Susana Dobal, se inspirou para realizar o seu o Pequeno Glossário para decifrar um estranho fenômeno, ensaio fotográfico que recebeu Menção Honrosa na Categoria 3 – Trabalhos de Inovação e Experimentação durante a exposição coletiva do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger.
A artista procura desvendar de onde partem essas explosões de raiva. É um pequeno gesto no sentido de desfiar o ódio para melhor tratá-lo. “Em vez de ficarmos simplesmente atônitos contando os mortos, ou admirarmos o espetáculo da violência do qual escapamos, convém fazer um esforço para tentar desvendar esse fenômeno que une racismo, misoginia, preconceitos diversos, hostilidades históricas e, sobretudo frustrações perigosas”, revela.
As fotos da artista foram todas realizadas com um celular: “Em tempos de superficialidade, o celular pode surgir como uma inusitada arma em ação no reino ameaçado da universidade pública”.
Sobre a participação da artista na premiação nacional, exposição coletiva e catálogo do Prêmio, Susana destaca que “a categoria Inovação e Experimentação foi também uma feliz escolha dos organizadores para dar vazão a produções que optam por explorar os limites, mas não encontram um nicho nos concursos habituais de fotografia. Para que outros possam ter o mesmo estímulo, desejo longa vida ao Prêmio Pierre Verger!”.