#PerfilDasArtes - Conheça a trajetória e os sonhos do palhaço João Lima, artista que se apaixonou pela arte da palhaçaria

14/08/2020
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Filho de baianos, João Lima nasceu na cidade de Uraí, no Paraná. Seus pais se casaram e mudaram para a cidade, na região norte do estado, devido à possibilidade de emprego, provenientes do auge de produção e exportação de café na década de 1960.

Mas não era ali que João Lima viveria. Aos 9 anos mudou-se com a família para Piracicaba, no interior de São Paulo, onde seu pai viu a oportunidade de trabalhar no crescente ramo de mão de obra, na construção civil.

Aos 22 anos, João Lima, que ainda não tinha tido a oportunidade de assistir a um espetáculo teatral, participou de uma oficina de teatro para acompanhar um amigo, por muita insistência do mesmo. Naquele momento foi dado o primeiro passo para o encontro de João com a arte.

“Me identifiquei de cara. Tinha acabado de fazer o segundo grau e estava me preparando para fazer vestibular para ciências da computação ou contabilidade, mas mudei e prestei vestibular para Artes Cênicas, na Unicamp”, lembra João que ainda não era palhaço, nem sonhava com a possibilidade.

Ainda não foi naquele período, em 1991, que João Lima ingressou na universidade, no entanto, ganhou amigos da arte. Neste ano, em uma oficina de dança afro-brasileira com dançarinos de Salvador, em Piracicaba, ele conheceu o saudoso Augusto Omolu, Armando Pequeno e alguns percussionistas que tocavam nas aulas e faziam parte de uma banda de afro jazz de Salvador chamada Agbeokuta.

Ali estava o seu flerte com a cidade de Salvador, na Bahia. Quando descobriu o curso de Artes Cênicas, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), não pensou duas vezes e se inscreveu para o vestibular, com procuração emitida para o percussionista Cícero Antônio, que conheceu na oficina.

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Foto: Nti Uirá

Carreira artística

Em 1993 João Lima ingressou no curso de Artes Cênicas da Ufba, e formou-se em Direção Teatral no ano de 1997. Segundo ele, “ser palhaço não era moda nessa época”, o que impulsionou o artista a participar de algumas oficinas de palhaçaria.

Inquieto, João fez cursos de mímica, dança, teatro, capoeira, dança afro, commedia dell'arte, até aí sem maiores interesses pelo circo. Mas um convite para dirigir uma esquete com dois atores mudou o enredo dessa história.

“Eles me convidaram para ajudá-los na montagem de uma esquete de palhaço, mas eles não eram palhaços. Então propus pesquisar e treinar essa técnica. Criei um grupo de estudo e acabei me apaixonando pela figura do Palhaço”, conta.

Nove meses depois esse grupo de estudos produziu, em Salvador, um curso chamado Retiro para Estudo do Clown, com o Grupo Lume de Campinas, segundo Lima, “a maior autoridade do assunto, à época”.

“Ser palhaço foi um sonho que mudou a realidade da minha vida em três aspectos: fez eu me conhecer melhor, me aceitar como eu sou e não temer ou me importar com o julgamento dos outros sobre mim; me deu segurança, autoestima e reconhecimento artístico; e se tornou a minha principal fonte de renda”, revela João com riso na fala.

cJoão Lima já dirigiu cinco shows musicais e mais de 20 espetáculos teatrais, dos quais seis foram contemplados com o Prêmio Braskem de Teatro. Entre eles O Sapato do Meu Tio, que teve apoio do Edital de Mobilidade Artística da Secretaria de Cultura do Estado (Secult/Funceb) e participou de dois dos mais importantes festivais de teatro da Europa, em Avignon, na França, e o outro - Fringe de Edimburgo -, na Escócia.

O artista é fundador e diretor do Grupo de Teatro Viapalco desde 1998, entidade que já produziu mais de 10 espetáculos. Na arte da palhaçaria, esteve presente em cursos com renomados palhaços nacionais e internacionais.

Com isso criou o Núcleo Circo Único, que tem no repertório os espetáculos solo, dando vida ao palhaço Tiziu em O Casamento do Palhaço, O Circo de um homem só, e em colaboração com outros palhaços tem o bloco Palhafolia, o coral Sol-Faz-Mi-Rir e a oficina A arte de ser Palhaço.

Parceiro da Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBa), João Lima esteve presente na terceira edição do Novembro das Artes Negras, apresentando o espetáculo O Circo de um Homem Só, para internos da penitenciária Lemos de Brito, em Salvador. A ação foi idealizada pelo Núcleo de Artes Circenses da Funceb. Ao final do projeto, o artista também apresentou na Sala King, na sede da Funceb, o solo O Casamento do Palhaço.

Arte em tempos de pandemia

Em tempos de combate à Covid-19 e isolamento social em todo estado e país, as artes vivem um momento delicado, sem precedentes, com profissionais se reinventando para manter a cultura ativa nas mais variadas formas.

Para João não está sendo diferente, mas o artista esticou as lonas e levou a palhaçaria para todas as casas, de forma virtual. "Não se pode fazer palhaçaria sem aglomeração", ele diz. Então, o jeito que encontrou foi criar um canal no youtube, adaptando o seu trabalho de circo para o audiovisual.

“A arte está se adaptando também ao mundo virtual e continuar me mantendo através da palhaçaria me faz forte, com vontade de seguir realizando outros trabalhos. Através do canal no youtube, alguns trabalhos virtuais estão surgindo”, finaliza.

Se você se interessa pelo trabalho de João, e deseja ajudá-lo, é possível colaborar financeiramente em troca de recompensas ligadas ao trabalho do palhaço. Confira o canal do artista no youtube clicando aqui!

Fotos: Arquivo Pessoal