15/12/2020

Foto: Divulgação
O Prêmio Dança para Infância – Processos de Criação Artística 1ª edição, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, selecionou quatro artistas com propostas de processos criativos em dança para infância, realizados na Bahia, sendo duas do interior do estado e duas de Salvador e região metropolitana. Para a realização do projeto, cada proponente selecionado recebe o apoio financeiro de R$ 4 mil.
“A dança que vem dos terreiros”, projeto assinado pela artista Diva Bomfim, do município de Barreiras, a 872 quilômetros de Salvador, é um dos contemplados no prêmio. A proposta busca compreender a técnica e os elementos que são inseridos nas danças dos cultos aos orixás, observando qual a percepção e a compreensão que as crianças sentem ou podem descrever ao dançarem nos terreiros e em outros espaços que possibilitem o contato com outros tipos de dança.
As atividades terão início em 20 de janeiro e vão até o dia 20 de fevereiro de 2021, dia de São Sebastião, após a realização das festas de Oxum e Yamenjá, nos espaços religiosos que a artista está mapeando. A artista está conhecendo as técnicas das danças africanas para o enriquecimento dos espetáculos e a preservação da cultura africana. Junto a ela estarão inseridas no processo três crianças já selecionadas, com idades entre seis e 12 anos, que acompanharão a artista nos espaços que sejam autorizadas as suas participações.
Para a proponente essa é uma expectativa encantadora, pois ela vivencia o enfrentamento em desmistificar a cultura dentro dos terreiros. “Vamos contribuir para a difusão, manutenção e salvaguarda da técnica existente nas danças de Orixás, apresentando uma proposta de ressignificação do legado dos nossos ancestrais. Entendendo que os terreiros são ponto de cultura viva, que a partir do aprendizado na infância é que podemos inserir nas crianças comportamentos respeitosos no seu contexto, e que a partir desta percepção todo o indivíduo possa ter o desejo e condições de dançar”, diz.
A artista vai utilizar relatos de professores, ogãs, vídeos, fotos e participações das crianças nas ações propostas para o mapeamento da pesquisa. Ela pretende ainda compilar este material em portfólio para base de arquivo do projeto.
“É encantadora a proposta do prêmio. Estou muito feliz em poder utilizar o meu olhar para dar visibilidade a essa riqueza de produção cultural existente nos terreiros. Além de me encantar como artista, perceber que a Funceb está com o processo de democratização dos fazedores de cultura do interior da Bahia. Essa premiação é o motivo de celebração para a cultura da nossa região”, finaliza Diva.
Diva Bomfim – Ela é filha de mestres Griôs, e desde muito pequena teve contato com as danças populares; tais como: samba de reis, roda de São Gonçalo, quadrilhas juninas e as danças de terreiro (danças de orixás). Depois formou-se em Artes visuais e viu na dança o desenvolvimento da corporeidade por meio da ludicidade se tornar efetivo através de jogos e brincadeiras, nas quais os alunos possam desenvolver suas capacidades e possibilidades de forma prazerosa e estética, além da representatividade. A partir daí procurou estar em constante aprendizado sobre as diversas possibilidades de dançar. Diva atua também com montagem de grupos, realização de festivais para a dança, assim como idealiza montagens e coreografias para espetáculos e trabalhos solos, que já lhe renderam premiações.
Serviço:
Prêmio Dança para Infância - “A dança que vem dos terreiros”
Quando: 20 de janeiro a 20 de fevereiro de 2021
Ação formativa sobre processos de criação em dança
Quando: 27 a 29 de janeiro de 2021
Inscrições: 18 a 22 de janeiro, no site da Funceb