#AldirBlanc - "Água de Meninos - A feira do Cinema Novo" na TVE em 2021

29/01/2021


agua


Retratar costumes da sociedade soteropolitana ligados à feira livre, fazer uma retrospectiva dos últimos 50 anos do maior mercado a céu aberto da Bahia e conduzir o espectador numa narrativa histórica, revelando a luta do feirante em imagens. Estes são alguns objetivos do documentário Água de Meninos – A Feira do Cinema Novo, da cineasta e roteirista Fabíola Aquino, que conta com participação especial do ator Antonio Pitanga.           

O telefilme foi contemplado com o Prêmio de Exibição Audiovisual 2020, entrará para a programação da TVE e demais canais do IRDEB. O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Com 52 minutos de duração, o filme conta a história das feiras em quatro tempos: a Feira de Água de Meninos, o Cinema Novo produzido na Feira, seu incêndio, em 1964, e o hoje, em São Joaquim.  Exibida com suas diversidades em cores fortes e marcantes, a Feira de São Joaquim e sua gente traz situações que remetem ao passado, embora estejamos em pleno século XXI.

O documentário também retrata um “olhar feminino” sobre a feira livre. Além da diretora Fabíola Aquino, a equipe é composta por outras duas mulheres: Claudia Chavez (montagem), e Laura Bezerra (pesquisa). Essa conjunção reflete um resultado sensível desse olhar feminino. “Nos encanta, por exemplo, ver o sentimento das pessoas que entendem a Feira como uma grande mãe. Uma pessoa que chega à feira cedo, sem dinheiro algum, mas, na conversa, consegue ‘comprar fiado’. Essa mesma pessoa trabalha, revende os produtos, paga o que deve e ainda volta para casa com algum dinheiro. Essa é uma representação maternal de uma relação comercial que só se vê na feira livre”, define a diretora.  

Cinema Novo na Bahia – E como conectar a Feira de São Joaquim com o seu passado, presente e perspectivas para o futuro? O roteiro habilidoso, composto por referências e pesquisas históricas, busca em sua narrativa ligar todos esses aspectos. A diretora focou em dois filmes do Cinema Novo: Sol Sobre a Lama (Alex Viany, 1963) e A Grande Feira (Roberto Pires, 1962), que retratavam as condições de vida da sociedade na década de 1960 e tinham como pano de fundo os conflitos sociais existentes na Feira de Água de Meninos.

Com participação especial do ator Antônio Pitanga, expoente do cinema nacional, que iniciou sua carreira em atuações destacadas nos dois longas que inspiraram o documentário, Pitanga veio a Salvador partilhar suas lembranças e rememorou a efervescência cultural vivenciada nos anos 60, em Água de Meninos. Junto ao seu depoimento, o espectador também poderá conferir sua performance na trilha sonora ao cantar Diplomacia, do sambista Batatinha, música executada no clipe final. O filme traz ainda belas declarações, como a do compositor Mateus Aleluia, do ex-feirante e produtor cinematográfico, Álvaro Queiros, e da atriz Gessy Gesse, entre outros.              

Pitanga falou sobre as experiências no cinema e seu engajamento nas causas sociais, fruto semeado pelo Cinema Novo e seus interlocutores. O ator encanta, com a memória e vivacidade, ao narrar sua ligação prematura com a feira, por onde circulava como um “capitão de areia” em sua infância. Hoje, altivo e reconhecido internacionalmente, Pitanga mira a feira e sua herança do passado, ao mesmo tempo em que percorre São Joaquim em meio aos escombros que sinalizam o futuro.


Trilha Sonora – A Orquestra Afro Sinfônica proporcionou ao documentário Água de Meninos uma trilha sonora original com o Poema Sinfônico “As Feiras”, que traz três movimentos: Água de Meninos, São Joaquim e Sete Portas. Uma festejada parceria une ao filme o maestro baiano Ubiratan Marques e o compositor Mateus Aleluia, autores da trilha. A Orquestra tem a mesma estrutura de uma orquestra tradicional, a principal diferença está, certamente, no resultado musical, que une o peso e as nuances sinfônicas à personalidade particular dos arranjos africanos. A trilha rendeu o Prêmio de Melhor Concepção Sonora no REcine – Festival Internacional de Cinema de Arquivo, no Rio de Janeiro, em 2012.     

O filme já foi licenciado para o canal Curta!, o CinebrasilTV e Tamanduá TV,  players de conteúdos primordialmente brasileiros e que têm desenvolvido outros documentários com a Obá Cacauê e o FSA.               

 

Sinopse:

Água de Meninos - A Feira do Cinema Novo

Relembra os filmes Sol Sobre a Lama e A Grande Feira, que retratavam as condições de vida da sociedade baiana na década de 60, o cenário era a Feira de Água de Meninos que foi incendiada. Hoje a Feira de São Joaquim e seus feirantes vivem situações semelhantes às dos filmes do Cinema Novo, em paralelo aguardam com esperança o início da revitalização e ampliação da maior feira livre da Bahia.



- Água de meninos - A feira do cinema novo, Sábado, dia 24, às 22h30 /Sexta, dia 30, às 21h30