Exposição dos Salões de Artes Visuais da Bahia - 64ª edição está aberta no Museu de Arte da Bahia

26/10/2022
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Está aberta a exposição coletiva da 64ª edição dos Salões de Artes Visuais da Bahia, promovidos pela Fundação Cultural do Estado, unidade vinculada à Secretaria de Cultura. O lançamento aconteceu no sábado (8), no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, e contou com a presença de artistas das mais diversas áreas, gestores, estudantes e público geral.  

A mostra reúne obras de 42 artistas da Bahia, selecionados via edital da Funceb. Pela primeira vez foram implantados no edital as cotas raciais e os indutores de gênero. Das 42 obras selecionadas para compor a exposição coletiva, 14 foram premiadas com o valor de R$ 15 mil. A exposição contempla as mais diversas modalidades de artes visuais, como tapeçaria, desenho, pintura, performance, instalação, escultura, fotografia, cerâmica, entre outros. 

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Os Salões de Artes Visuais da Bahia, o mais antigo dos projetos continuados pela Funceb, está completando 30 anos. A diretora geral da Funceb, Renata Dias, reforçou o marco durante a abertura: “A memória que se materializa aqui através das pessoas, dos artistas, ajudam a tecer e retecer o que marca a nossa gente e a nossa história. Esse é um encontro único de artistas oriundos de todos os macroterritórios do estado, e se baliza na descentralização e na territorialização, sempre descentralizando as ações de fomento.” 

A secretária de Cultura do Estado, Arany Santana, compareceu ao evento representando o governador do estado, e destacou que “é de grande Importância a retomada dos Salões de Artes Visuais da Bahia neste ano tão emblemático. Há oito anos as artes visuais estavam carentes de reconhecimento, com a ausência do certame. Os Salões de Artes Visuais da Bahia se tornam uma janela aberta para os artistas, tanto para os veteranos como para os que estão dando início a sua carreira. Através dos Salões as obras ganham visibilidade, conseguem escoamento das suas obras, e são importantes vetores de dinamização dos espaços expositivos da Bahia.”

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Premiados

O lançamento da exposição contou com a apresentação de duas performances premiadas na edição: “Branda”, da soteropolitana Talita Sueli Macario De Melo, e “Voar”, da circense Sandra Silva Santos, de Feira de Santana. “A minha performance mostra a possibilidade de voar sob uma cadeira de rodas. O que meu corpo me permite, sem limites. Tenho quase 10 anos nas artes, no teatro, dança e circo. Fico feliz com a visibilidade e com a representação. Me inscrevi sem muita expectativa e estou extremamente feliz”, conta Sandra, uma das premiadas do edital, e realizou sua inscrição utilizando cota de pessoas com deficiência. 

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O arte educador e professor formado em Desenho Plástico pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, Adriano Santos Fonseca, da cidade de Presidente Tancredo Neves, teve uma de suas obras selecionadas nos Salões. “A xilogravura nasce a partir da contemplação a esses povos culturais do Baixo Sul da Bahia, os Zambiapunga. Sempre no primeiro dia de novembro, um dia antes de finados, a manifestação acontece, herança dos povos Bantus na região. Zambiapunga significa Deus Supremo da Morte, sua celebração chegou aqui na Bahia do Sudoeste africano, eles usavam máscaras, indumentárias coloridas e música instrumental para celebrar esse deus supremo, sempre nesta data”. 

Adriano explica que atualmente a manifestação se afastou do sagrado e se realiza mais no profano. “Apesar de historicamente ter essas bases dos povos bantus, ao longo do tempo foi se perdendo a ideia do sagrado/religioso, mas é interessante perceber como permanece essa ligação com o nosso passado”. A gravura premiada “Zambiapunga” faz parte de uma série de 20 imagens, que podem ser adquiridas com o autor. 

Assim como Adriano, Talita Sueli, premiada com a performance “Branda”, e Vando Oliveira, com a instalação “O Cristo Imboré”, foram selecionados/premiados através de cota racial, sendo este último contemplado com cota indígena, utilizadas pela primeira vez no edital. 

Natural de Vitória da Conquista, descendente direto dos Mangaiá Paneleiros, na região de Batalha, Vando Oliveira destacou a importância em ter se tornado um dos premiados. “Foi a primeira vez que me inscrevi nesse conceito de Salões de Artes e para mim é muito importante sair do interior para a capital, significa que compreenderam o ativismo na minha arte. A memória está se dissolvendo, precisa ser eternizada, tombada, e a minha arte grita por isso. Quando se tem oportunidade, a flecha acerta o alvo. Me senti muito acolhido aqui, pela equipe do museu, da Funceb e pelas comissões.”

Natural de Aramari, artista não-binária Mika teve sua obra, a instalação “Aramari-Sertão-Mundo”, premiada pelos Salões de Artes Visuais. Mika utilizou indutor de gênero no momento da sua inscrição. “Eu nem consigo falar com tanta clareza sobre esse momento, penso em minha obra representada no MAB que historicamente não nos pertence, e os os Salões permitiu outras narrativas neste espaço, coroação de tudo. Esse prêmio é meu pra honrar meu trabalho que é em honra da minha ancestralidade, por mim e por todo mundo que sonhou estar aqui, e espero estar abrindo portas. Aramari-Sertão-Mundo é um processo de ocupação e povoamento da cidade, desse processo de ocupação colonial até a ocupação de negros escravizados, e hoje em dia um território reconhecido como de remanescentes quilombolas.”

Natural de Santa Cruz Cabrália, Félix Caetanno foi outro premiado, com a obra “Pindorama”, na modalidade tapeçaria. Para ele, os Salões de Artes Visuais é uma síntese da arte produzida na contemporaneidade: “O Salão é uma oportunidade da gente ilustrar o nosso pensamento sobre o Brasil e sobre o mundo através da perspectiva da Bahia. É um privilégio estar aqui e passar por uma grande peneira, ser um dos selecionados, e ainda, premiado. Então o que está aqui hoje é a representação da arte contemporânea feita na Bahia.”

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Sucesso de público
 
A estudante de artes plásticas, Taís Melgaço, compareceu no lançamento da exposição. “É muito enriquecedora para mim enquanto estudante, é uma oportunidade de ter em vista o que está sendo produzido, o que está sendo dito, performado e como a arte está sendo expressa nesse momento atual, além de serem referências para mim. Fiquei impactada com a variedade de técnicas, materiais, modalidades, é uma diversidade muito grande.”

A também estudante Lana Barreto foi ao Museu de Arte da Bahia pela primeira vez para prestigiar o sogro, que integrou a exposição: “vim ver a obra dele que foi premiada, mas estou muito feliz pela oportunidade de contemplar as outras obras também, tudo muito diferente do que já vi, e com certeza voltarei outras vezes.”

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Já o artista visual Rodrigo Senna compareceu ao lançamento para contemplar as obras dos colegas de profissão. “Ver os salões acontecendo novamente dão um gás para quem produz e quer ver o seu trabalho exposto. Pude ver colegas sendo premiados e ampliando o fazer artístico.”

A exposição fica aberta ao público gratuitamente até 27 de novembro de 2022, de terça a sexta-feira das 13h às 18h, e aos finais de semana das 13h às 17h. 

SERVIÇO:

Salões de Artes Visuais da Bahia - 64ª edição
Visitação: terça a sexta-feira das 13h às 18h | finais de semana das 13h às 17h
Onde: Museu de Arte da Bahia (MAB) – Av. Sete de Setembro, 2340 – Corredor da Vitória, Salvador (BA)
Entrada gratuita


Fotos: Lucas Malkut