
Diversidade foi a palavra que marcou a 64ª edição dos Salões de Artes Visuais da Bahia. A edição de 30 anos trouxe para o público a diversidade da atual produção baiana em artes visuais, divulgando e valorizando o trabalho de artistas também em início de carreira, além do estimulo à reflexão sobre temas atuais da área. Fechando este ciclo, entre os dias 25,26 e 27 de novembro curadores e galeristas brasileiros participaram do projeto Partilhamentos, uma troca de experiências e vivências no campo.
Os artistas presentes lançaram reflexões em torno do fazer, perceber e potencializar obras artísticas produzidas em um cenário atravessado por questões que afetaram o controle frente às atuais dinâmicas culturais, sociais, políticas. Os curadores convidados de diferentes partes do país conheceram melhor as produções artísticas baianas das Artes Visuais e trocaram com as pessoas que participaram dos encontros.
No dia 25 de novembro (sexta-feira), teve início a Leitura de Portfólios, com artistas previamente inscritos, que participaram também de uma roda de conversa com o curador Cearense Bitu Cassundê sobre o tema "Bandeira e a viajeira curiosidade cearense".
Com a frase “amar se aprende amando”, de Carlos Drumond de Andrade, Bitu deu início a sua fala, apresentando trabalhos realizados e críticas artísticas que fez no estado do Ceará, focando nas relações com o lugar, o entorno e o cotidiano. Para ele, “essa troca com artistas reforça o comprometimento com as artes visuais e projeta um olhar sobre o novo fazer artístico”.
“É importante conhecer novos trabalhos e poder trocar com artistas que estão iniciando a carreira. Esse sangue novo nos faz olhar também para o que já fizemos e como podemos contribuir com esse novo fazer, traça um olhar diferenciado para o que virá e como agiremos. Essa troca foi sensacional”, disse.
No sábado (26), a roda de conversa foi conduzida pelo curador Orlando Maneschy sobre o tema "Experiências para o Comum: processos compartilhados, irrupções e o giro decolonial.
Quando perguntado sobre a importância do projeto Partilhamentos, ele comentou: “A ação trouxe o contato com artistas e a possibilidade do encontros, com trocas de ideias, compreensão de processos e diálogos sobre possibilidades de consolidar projetos, buscando contribuir com as artes e os artistas”. Orlando trouxe para o debate suas experiências desenvolvidas em curadoria e Educação para conversar sobre a ativação de ambientes possíveis para trocas e operações que agreguem intervenções, desvios, giros decoloniais.
Encerrando as atividades desta edição, a curadora Clarissa Diniz participou de uma roda no programa da leitura de Portfólios com o tema "Curadoria como pedagogia: relato de uma experiência". O debate foi uma reflexão sobre as relações entre curadoria e Pedagogia a partir do Programa de Formação e Deformação da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
A artista visual Meg disse que “participar do projeto Partilhamentos trouxe uma renovação para o diálogo com artistas visuais. Pudemos conversar com a classe, pensando na classe e isso nos renderá excelentes frutos”, comentou.

O coordenador de Artes Visuais da Funceb, Marcelo Reis fez um balanço positivo sobre a edição. Para ele “foi uma experiência incrível e que trouxe uma nova forma de pensar nas artes visuais para a Funceb”.
“Tivemos o ano inteiro com ações voltadas para os Salões de Artes Visuais da Bahia. Visitamos ateliês e artistas em diversos macro-territórios e após com os premiados e expostos; esses encontros que reafirmam o nosso compromisso com o fazer artístico e o nosso interesse na escuta para uma melhor execução”, finaliza.
A Funceb realizou Consulta Pública – de agosto a novembro de 2021 – ouvindo artistas de todo estado. Mais de 200 respostas foram acolhidas e, em paralelo, foram realizados 12 encontros com artistas de diversas localidades no estado, com o intuito de democratizar o projeto, ouvindo as demandas dos profissionais. Com o edital foram selecionadas 42 propostas que também estiveram expostas até ontem (27), no Museu de Arte da Bahia, em Salvador. Foram mais de 3.500 visitas à exposição coletiva no MAB.
Fotos: Lucas Malkut